Lideranças da proteína animal defendem união para ampliar mercados globais

Representantes dos setores de aves, suínos, bovinos, leite e pescados defenderam maior integração entre as cadeias produtivas como estratégia para ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional de proteínas animais durante o SIAVS, realizado em São Paulo.

No painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, lideranças destacaram que o Brasil reúne vantagens competitivas como disponibilidade de recursos naturais, tecnologia, capacidade produtiva e reconhecimento sanitário, mas precisa avançar na comunicação desses diferenciais para conquistar novos mercados.

O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin, afirmou que o país precisa reforçar internacionalmente a imagem da produção brasileira, principalmente em relação à sustentabilidade.

Segundo ele, o Brasil possui mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados de áreas preservadas dentro de propriedades privadas por meio da reserva legal, além de áreas de pastagens que podem ser utilizadas para ampliar a produtividade sem necessidade de abertura de novas áreas.

“Temos clima favorável, produtores capacitados e vocação para alimentar o mundo. Precisamos mostrar essa realidade, reforçando uma proteína produzida com biosseguridade, sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade ambiental”, afirmou.

Cadeia organizada amplia presença internacional

O gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que a organização da cadeia produtiva brasileira é um dos fatores que diferenciam o país no cenário internacional.

Para ele, em um ambiente global marcado por incertezas e disputas comerciais, a união entre entidades, produtores e governo ajudou o Brasil a conquistar confiança dos compradores internacionais.

“O Brasil consegue atender o mercado interno, ampliar o consumo doméstico e, ao mesmo tempo, alcançar recordes de exportação. Isso é resultado de organização, tecnologia e confiança construída por toda a cadeia”, disse.

Pescados buscam novos mercados

O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, destacou que o setor de pescados tem espaço para crescer no mercado nacional e internacional.

Atualmente, o Brasil exporta cerca de US$ 400 milhões em pescados, mas, segundo Lobo, o potencial é significativamente maior. Entre as oportunidades estão novas parcerias comerciais, especialmente com o mercado europeu.

“O setor está em expansão e temos confiança de que podemos avançar. O otimismo e a resiliência são grandes”, afirmou.

Leite busca maior competitividade

A cadeia leiteira também defendeu maior integração com outros segmentos da proteína animal. O presidente do Sindilat, Guilherme Portela, afirmou que o Brasil ainda precisa superar desafios para ampliar sua participação no comércio internacional.

Apesar dos avanços em produtividade e acesso a mercados externos, o setor ainda importa mais produtos lácteos do que exporta.

Entre as estratégias para mudar esse cenário estão o fortalecimento da competitividade, abertura de novos mercados, valorização do produtor e maior aproximação entre os diferentes elos da cadeia.

“Faltava uma liderança direcional para apontar caminhos de como podemos atingir níveis de competitividade e novos mercados de exportação para fortalecer a cadeia”, afirmou.

Pecuária mantém peso econômico

O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, destacou a relevância econômica da pecuária brasileira. Segundo ele, no último ano, o setor movimentou cerca de US$ 20 bilhões em exportações e aproximadamente US$ 80 bilhões em vendas totais.

Perosa afirmou que a cadeia enfrenta desafios relacionados ao cenário geopolítico e às barreiras comerciais, mas mantém capacidade de abastecer o mercado doméstico e atender a demanda internacional.

“As exportações não competem com o abastecimento doméstico. Elas são um dos pilares que sustentam toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Segundo o executivo, a parceria entre Abiec e ApexBrasil ao longo de mais de duas décadas foi fundamental para a abertura de mercados em diferentes regiões do mundo.

Empresas discutem futuro da proteína animal

As transformações no consumo, as mudanças geopolíticas e as novas exigências do comércio internacional também estiveram no centro do painel “Futuro das Proteínas”.

O debate reuniu os CEOs João Campos, da Seara, Miguel Gularte, da MBRF, e o diretor-presidente da Aurora Coop, Neivor Canton.

Os executivos destacaram que a manutenção da liderança brasileira no mercado global dependerá de investimentos em eficiência, inovação, segurança sanitária e adaptação ao novo perfil do consumidor.

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