Líder do Cartel de Sinaloa “El Mayo” é condenado à prisão perpétua nos EUA

O narcotraficante mexicano Ismael “El Mayo” Zambada foi condenado nesta segunda-feira (20) à prisão perpétua nos Estados Unidos, após um acordo judicial firmado no ano passado, no qual admitiu ter enviado milhões de quilos de cocaína ao longo de décadas como líder do Cartel de Sinaloa.

O réu é um dos traficantes mexicanos de maior destaque a ser condenado em um tribunal dos EUA desde que o também líder de Sinaloa, Joaquín “El Chapo” Guzmán, foi condenado à prisão perpétua em 2019.

Ao proferir a sentença em uma audiência no tribunal federal do Brooklyn, o juiz distrital dos EUA, Brian Cogan, afirmou que, embora não tivesse outra escolha a não ser impor a pena, acreditava que essa era a punição correta.

“A quantidade quase inimaginável de drogas atribuída a ele e o número de assassinatos que podemos documentar são suficientes para justificar a decisão do Congresso de tornar essa pena de prisão perpétua obrigatória”, disse o juiz.

Zambada, de 76 anos, concordou em se declarar culpado em agosto de 2025 das acusações — incluindo conspiração para atividades de extorsão e liderança de organização criminosa continuada — depois que o Departamento de Justiça informou que não pediria a pena de morte. As acusações acarretavam uma pena obrigatória de prisão perpétua.

Zambada assume a responsabilidade

Vestindo uma camiseta bege padrão do sistema prisional sobre uma camisa laranja de mangas compridas, Zambada foi conduzido à sala de audiências de Cogan por dois agentes do Serviço de Delegados dos EUA  e disse “Buenas tardes” ao seu advogado, Frank Perez.

Em breves declarações ao tribunal, o réu disse assumir a responsabilidade pelos danos que suas ações causaram.

“Ninguém vence em uma guerra como esta. À próxima geração, digo: escolham um caminho diferente”, disse Zambada.

O juiz afirmou que sugeriria que Zambada, já com mais de 70 anos, fosse alocado em uma unidade onde ele recebesse cuidados médicos adequados. O juiz mencionou que o criminoso sofria de vários problemas de saúde progressivos — que não especificou — e observou que a decisão dele de se declarar culpado, em vez de ir a julgamento, poupou o governo de tempo e despesas consideráveis.

“Não estou dizendo que ele deva ser enviado para um campo de detenção como recompensa por isso”, disse Cogan, referindo-se a uma unidade de segurança mínima. “Na medida em que houver dúvida sobre as necessidades médicas, que o benefício da dúvida lhe seja concedido.”

Uma prisão dramática

Zambada foi preso em julho de 2024, juntamente com Joaquin Guzman Lopez — um dos filhos de “El Chapo” —, depois que o avião em que estavam pousou em uma pequena pista de pouso no Novo México.

Desde então, Guzman Lopez se declarou culpado das acusações, que incluem tráfico de drogas e o sequestro, ocorrido em julho de 2024, de uma pessoa identificada nos documentos judiciais como “Indivíduo A”.

Joseph Nocella, o principal promotor federal do Brooklyn, disse a repórteres após a sentença de Zambada que Guzman Lopez havia admitido ter sequestrado o outro réu na tentativa de obter crédito junto às autoridades policiais dos EUA.

“Os Estados Unidos deixaram bem claro que não compactuamos com sequestros e que ele não receberia nenhum crédito”, afirmou Nocella.

O advogado de Lopez não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Ele ainda não foi sentenciado.

Seu pai cumpre pena de prisão perpétua em uma penitenciária de segurança máxima no Colorado.

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