Jalles Machado reverte prejuízo anual e lucra R$ 9,5 milhões em 2025/2026

A Jalles Machado, uma das maiores empresas do setor sucroenergético brasileiro, encerrou o 4º trimestre do ano safra 2025/2026 com prejuízo de R$ 50,9 milhões de reais. O resultado do mesmo trimestre do ciclo anterior também representou um prejuízo de R$ 8,5 milhões.

Ainda assim, no acumulado do ano fiscal, a empresa registrou lucro líquido de R$ 9,5 milhões e superou o prejuízo de R$ 55,9 milhões auferido no ano anterior.

A receita líquida da companhia totalizou R$ 487,8 milhões no quarto trimestre, uma queda de 25,4% em relação ao mesmo recorde do ano passado, quando a receita se consolidou em R$ 653,6 milhões. No acumulado anual, a receita líquida totalizou R$ 2,1 bilhões e caiu 8,1% na comparação anual. Em 2024/2025, a receita foi de R$ 2,3 bilhões.

O Ebitda ajustado da empresa caiu 46,6% no último trimestre do ano fiscal para 283 milhões, no mesmo trimestre em 2025 o resultado foi de 530,3 milhões. No acumulado do ano fiscal 2025/2026, o Ebitda ajustado somou R$ 1,3 bilhão, uma retração de 11,8% frente ao ciclo 2024/2025, quando o indicador registrou R$ 1,4 bilhão.

A dívida líquida somou R$ 1,7 bilhão no encerramento do quarto trimestre e apresentou uma retração de 0,8% em relação ao quarto trimestre da safra 2024/25, o que reflete o volume relevante de investimentos em ativos biológicos, relacionados ao plantio de renovação e expansão do canavial, com destaque para a unidade Santa Vitória.

No campo dos investimentos, a companhia informou que segue focada na expansão da capacidade produtiva e na mitigação dos riscos climáticos. Entre os projetos em andamento estão a ampliação das áreas irrigadas na unidade Santa Vitória, que já conta com 680 hectares implantados e aproximadamente 4,5 mil hectares de áreas de salvamento que serão colhidos na safra 2026/27.

A empresa também iniciou a expansão de mais 600 hectares irrigados e concluiu a instalação de uma fábrica de adubo líquido na unidade Jalles Machado, iniciativa que deverá aumentar a eficiência no uso de insumos e reduzir custos operacionais.

Ainda assim, a geração de fluxo de caixa operacional da Jalles foi suficiente para compensar os investimentos realizados em ativos biológicos, contribuindo para o controle da dívida líquida ao final do período.

A administração da Jalles destacou que a safra 2025/26 foi marcada por desafios climáticos, volatilidade de mercado e necessidade de adaptação operacional, mas ressaltou que a companhia conseguiu preservar sua competitividade e avançar em iniciativas estratégicas e financeiras.

Segundo a empresa, o ciclo foi encerrado em um contexto de forte heterogeneidade produtiva no Centro-Sul, região que processou 611 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com produtividade média de 74,4 toneladas por hectare e ATR de 137,8 quilos por tonelada.

Enquanto estados como São Paulo, Goiás e Minas Gerais registraram quedas de produtividade, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná apresentaram crescimento.

Na avaliação da administração, um dos principais destaques do período foi o fortalecimento da estrutura financeira da companhia. Ao longo da safra, a Jalles captou R$ 1,3 bilhão por meio de diferentes instrumentos, incluindo debêntures, (CRA) Certificados de Recebíveis do Agronegócio, recursos do programa Brasil Soberano e financiamento junto à IFC (International Finance Corporation).

A administração ressaltou ainda os avanços na agenda de governança e controle de custos. Segundo a companhia, a atuação da comissão de custos e a ampliação da gestão matricial têm fortalecido os controles internos e permitido identificar oportunidades estruturais de ganho de eficiência.

O objetivo é construir uma operação mais resiliente e preparada para ampliar a geração de valor e capturar ganhos de margem nos próximos ciclos.

Para a safra 2026/27, a expectativa é mais favorável do ponto de vista operacional, impulsionada por um regime de chuvas mais regular e volumes superiores aos observados no ciclo anterior.

A empresa prevê uma recuperação gradual da produtividade agrícola e iniciou a temporada com estratégia mais voltada à produção de etanol, acompanhando a dinâmica de preços entre açúcar e biocombustíveis.

Apesar da perspectiva positiva para a produção, a companhia avalia que o ambiente de preços continuará desafiador. O aumento da oferta de etanol, impulsionado pela expansão do etanol de milho e por um mix mais alcooleiro no setor, além dos preços do açúcar abaixo dos custos de produção em parte do Centro-Sul, devem pressionar as margens.

Para reduzir a exposição à volatilidade, a Jalles informou que já fixou 280.379 toneladas de açúcar da safra 2026/27 ao preço médio de R$ 2.489 por tonelada, garantindo maior previsibilidade e proteção de resultados.

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