Iraque nega relato de que o Irã recusou acordo de cessar-fogo com os EUA

O Iraque rejeitou nesta sexta-feira (24), classificando como “totalmente infundada”, uma reportagem do jornal americano The New York Times segundo a qual o Irã teria recusado uma proposta de cessar-fogo dos EUA apresentada a Teerã pelo primeiro-ministro iraquiano.

O New York Times noticiou na quinta-feira (23) que o Irã havia rejeitado a proposta de cessar-fogo dos EUA, citando autoridades iranianas e iraquianas não identificadas.

Segundo a reportagem, autoridades iranianas afirmaram que Teerã não tinha interesse em um acordo temporário que deixasse sem solução a questão do controle do Estreito de Ormuz.

O gabinete de imprensa do primeiro-ministro iraquiano declarou, nesta sexta-feira, que as alegações da reportagem “não correspondem à realidade”.

O governo também instou todos os veículos de comunicação a “se abstiverem de divulgar informações não verificadas ou atribuídas a fontes anônimas”.

Teerã também contestou a reportagem, classificando-a como “enganosa”, segundo a agência estatal iraniana IRNA.

“O problema da escalada do conflito na região decorre exclusivamente do descumprimento de promessas por parte dos Estados Unidos”, afirmou uma autoridade iraniana não identificada, citada pela IRNA.

O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, visitou Teerã na quinta-feira, depois de se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, no início da semana passada na Casa Branca.

Antes da visita, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, insistiu que Teerã não buscava mais mediação com Washington.

Paralelamente, Trump sinalizou na quinta-feira (23) que ainda não estava pronto para negociar um novo cessar-fogo com o Irã, afirmando que “eles precisam de mais do mesmo” após dias consecutivos de ataques aéreos.

Ataques continuam

Como mostrado pela CNN, na noite de quinta-feira (23), o CENTCOM (Comando Central dos EUA) informou que as forças armadas dos EUA estavam lançando mais ataques contra o Irã.

“Esta é a 13ª noite consecutiva de ataques destinados a responsabilizar o Irã e reduzir as ameaças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica ao transporte marítimo comercial”, afirmou o CENTCOM na rede social X, acrescentando que os ataques começaram às 18h45, horário da costa leste dos EUA (19h45, em Brasília).

Horas depois, na madrugada desta sexta-feira (24), a mídia estatal iraniana reportou que pelo menos quatro pessoas morreram após ataques dos EUA realizados contra diversas áreas do Irã.

Em meio à tensão entre os países no conflito, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que “confiscar os ativos de outra nação para pagar futuras reivindicações não relacionadas cria um precedente incendiário“, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que utilizará ativos iranianos apreendidos para indenizar danos causados a navios.

“Aqueles que comemoram ou lucram com esses recursos devem se lembrar: quando governos passam a normalizar o confisco de ativos, o patrimônio de ninguém estará seguro”, escreveu Araghchi em uma publicação no X, nesta sexta-feira (24).

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