Os Estados Unidos “são responsáveis” pelas ações de Israel, afirmou nesta segunda-feira (8) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, segundo a agência de notícias estatal Tasnim.
Os EUA “são responsáveis como parte do acordo de cessar-fogo de 8 de abril”, declarou Baghaei, citado pela agência Tasnim, acrescentando que “independentemente do que aconteça na região… a responsabilidade direta dos Estados Unidos está estabelecida, e eles também arcarão com as consequências de qualquer escalada”.
“O objetivo das negociações era pôr fim à guerra contra o Irã, e também consideramos o fim do conflito no Líbano como parte do cessar-fogo”, acrescentou ele, alertando que minar essa premissa afetaria “inevitavelmente” o processo diplomático.
“O Irã insiste que ‘em nenhuma circunstância’ permitirá que Israel e os EUA continuem atacando a República Islâmica, para depois ‘emitir uma declaração genérica afirmando que permanecem comprometidos com um cessar-fogo – um cessar-fogo que está sendo violado de forma contínua e repetida’, continuou o porta-voz, acrescentando que o processo diplomático, no entanto, prossegue por meio de intermediários paquistaneses.”
Baghaei afirmou que a visita do ministro do Interior do Paquistão a Teerã no domingo (7) faz parte dos esforços para continuar as trocas indiretas com Washington.
Em outra declaração, ele disse que o Irã responderá a qualquer resolução contrária ao país na reunião desta semana do Conselho de Governadores da agência nuclear da ONU.
Ele acusou o diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Rafael Grossi, de ignorar a realidade do conflito e de ter visões políticas tendenciosas que prejudicam a legitimidade da agência.
Retomada de ataques
Israel afirmou nesta segunda-feira ter atingido uma planta petroquímica no sudoeste do Irã, além de outros ataques contra alvos militares, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter supostamente instruído o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a se abster de novos ataques.
Na primeira ofensiva a uma instalação de energia dentro do Irã desde o cessar-fogo de 8 de abril, forças israelenses dizem ter atingido alvos no complexo petroquímico de Mahshahr, enquanto um funcionário provincial informou à Fars que partes da planta foram danificadas.
Os Houthis do Iêmen, alinhados a Teerã, prometeram impedir a navegação marítima de Israel no Mar Vermelho e reivindicaram a autoria do primeiro ataque com mísseis contra Israel desde o cessar-fogo, o que levou as forças armadas israelenses a ativar seus sistemas de defesa aérea.
“Consideramos todos os movimentos inimigos alvos militares legítimos para nossas forças armadas”, acrescentaram os Houthis em um comunicado.
Pedido de Trump
Horas antes, Trump havia dito que novos ataques de Israel e do Irã não afetariam as negociações de paz de seu governo com Teerã, acrescentando que Benjamin Netanyahu “não manda em tudo”.
Trump pressionou Israel para que interrompa seus ataques no Líbano, a fim de abrir espaço para um acordo que pusesse fim à guerra com o Irã, chegando a proferir palavrões contra Netanyahu em um telefonema na semana passada.
No entanto, no início do domingo (9), Israel lançou ataques na região de Beirute pela primeira vez desde que Washington anunciou um plano de cessar-fogo para o Líbano na semana passada.
O Irã disparou mísseis contra alvos israelenses em retaliação, mas Trump insistiu que um acordo para encerrar a guerra ainda era possível.
“Isso não terá nenhum impacto no acordo”, disse Trump ao jornal Financial Times. “Quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele (Netanyahu) não manda em nada.”
*Com informações da agência de notícias Reuters