IA trabalha seis vezes mais que humanos; empregos estão em risco?

Um estudo interno divulgado pela Anthropic revelou que os agentes de inteligência artificial da empresa já trabalham seis horas para cada hora de um funcionário humano. O resultado direto desse avanço é queda no número de contratações.

Os agentes são ferramentas capazes de pensar e tomar decisões de forma autônoma, com pouquíssima interferência humana.

O especialista em IA e colunista da CNN Brasil Álvaro Machado Dias explicou que, nesse novo cenário, o papel do trabalhador humano se aproxima cada vez mais da gestão. “Ele faz o trabalho que era do chefe dele”, afirmou Machado.

Segundo ele, as principais funções humanas passam a ser escrever planos para que a IA execute tarefas, checar os resultados produzidos e avaliar se é possível avançar para a próxima etapa ou se são necessários ajustes no caminho.

Mudança no perfil das contratações

As empresas estão contratando menos, mas buscam profissionais com expertise técnica capaz de ser aplicada diretamente em fluxos de inteligência artificial.

“Há uma mudança no perfil das contratações e isso está mexendo com todos os departamentos”, destacou Machado.

Para ele, departamentos inteiros, como o de marketing, já não existem da mesma forma que há dois anos. Nesse contexto, profissionais iniciantes perdem espaço, pois as empresas passam a priorizar quem já chega com habilidades técnicas prontas para serem aplicadas.

Machado apontou ainda que a queda de 9% nas contratações observada no setor de tecnologia tende a se expandir para o mercado como um todo, especialmente nas economias mais avançadas.

“Mas uma hora, com certeza, chega aqui”, alertou, referindo-se ao Brasil. No país, 50% das empresas já utilizam inteligência artificial, e a perspectiva é de crescimento acelerado.

IA avança além do setor de tecnologia

Segundo o especialista, a adoção de agentes de IA em setores fora da tecnologia pode ser ainda mais fácil de implementar do que nas próprias empresas desenvolvedoras. Isso porque, quanto mais tarefas repetitivas um setor possui, maior é o potencial de automação.

Ele citou exemplos práticos: em bancos, agentes podem realizar análises de crédito verificando documentos automaticamente; em escritórios de contabilidade, podem preencher declarações de imposto de renda; e em lojas, podem atender clientes via WhatsApp e checar o inventário simultaneamente.

O ser humano como gargalo

Um dos pontos mais relevantes do debate, que aconteceu durante o Prime Time, da CNN Brasil, foi a confiança nas máquinas.

Se antes a desconfiança vinha dos erros frequentes da IA, agora o risco surge do excesso de confiança. “A desconfiança emerge porque as pessoas estão simplesmente mandando trabalho para o mundo sem checar”, afirmou Machado.

Ele destacou que a frase que circula no Vale do Silício atualmente é que “o ser humano se tornou o novo gargalo”, já que a IA gera análises, relatórios e insights em volume e velocidade que superam a capacidade humana de revisão.

Quanto ao perfil ideal do profissional nesse novo ambiente, o especialista descreveu alguém com muita velocidade e capacidade de execução, mas que não seja excessivamente detalhista. “A tendência atual é as coisas saírem com menos checagem e maior volume”, disse.

Para ele, isso implica mais incerteza e mais risco, mas, no agregado, a produtividade é multiplicada de forma significativa.

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