Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) que as importações de carne bovina, carne de frango e café do Brasil ficarão fora da nova tarifa de 25% anunciada para produtos brasileiros. A decisão consta da lista de exceções divulgada pela Casa Branca e representa um alívio para alguns dos principais setores exportadores do agronegócio nacional.

A manutenção desses produtos nas isenções já era esperada pelo setor privado. Ainda não está claro se o café solúvel será isento e entidades do segmento aguardam os detalhes da lista de exceções.

Durante as audiências públicas promovidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), entidades como a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e a  ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) optaram por não participar das discussões, diante da avaliação de que as carnes brasileiras não seriam incluídas entre os produtos tarifados.

Para Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a exclusão das carnes segue uma lógica econômica, uma vez que os Estados Unidos dependem das importações brasileiras para complementar a oferta doméstica, especialmente de carne bovina destinada ao processamento.

No caso do café, a decisão também atende a um pleito da indústria americana. Em comunicados oficiais – e durante a audiência pública promovida pelo USTR entre 6 e 7 de julho -, a NCA (National Coffee Association) argumentou ao governo dos Estados Unidos que a taxação elevaria os custos para torrefadoras, varejistas e consumidores, já que o país depende das importações para abastecer seu mercado e o Brasil é seu principal fornecedor de café.

A entidade defendeu que o grão brasileiro não possui substituto em volume e qualidade suficientes no curto prazo, incluindo o solúvel. Ano passado, o café verde foi incluído na lista de exceções, diferente do cenário do café solúvel, sob o qual incide uma tarifa temporária global de 10% – prevista até dia 24 de julho deste ano.

Os Estados Unidos eram o principal destino do café brasileiro até antes do tarifaço, mas perderam este espaço justamente pela aplicação de tarifas. Na safra 2025/26, os EUA ficaram em segundo lugar entre os maiores compradores globais e Alemanha passou à frente, o que não ocorria desde o ciclo 2009/10. De janeiro a junho deste ano, os americanos compraram cerca de 17% de todo o volume exportado pelo Brasil, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Além do café, as carnes também têm peso relevante na pauta comercial. Em 2026, os Estados Unidos consolidaram-se como o segundo maior destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, enquanto seguem entre os principais mercados para a carne de frango produzida no Brasil.

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