Gigantes de IA nos EUA veem governo como aliado estratégico, diz professor

As principais empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos têm interesse em estreitar laços com o governo americano não apenas por preocupações relacionadas à segurança da tecnologia, mas também por razões estratégicas ligadas à sua própria sobrevivência e expansão. A avaliação é do jornalista e pesquisador Alexandre Gonçalves, professor da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, durante participação no programa WW Especial, da CNN Brasil.

Segundo Gonçalves, que pesquisa os impactos sociais da inteligência artificial, esse movimento segue uma lógica já observada anteriormente nas grandes plataformas de redes sociais. “Essas empresas querem, em certo sentido, fazer parte do aparato de segurança nacional americano”, afirmou.

O pesquisador lembrou que, durante os debates sobre desinformação nas redes sociais, empresas do setor passaram a defender maior participação do Estado em suas atividades. “O próprio Facebook, a Meta, veio a público e falou: ‘A gente precisa ser regulado. O Estado, de certa forma, precisa estar dentro das nossas empresas para ajudar a regular o discurso na nossa plataforma’”, disse.

Para ele, existe uma analogia entre aquele processo e o atual avanço da inteligência artificial. “As empresas de inteligência artificial também têm o interesse de trabalhar em parceria com o governo americano”, afirmou.

Gonçalves argumenta que essas companhias tendem a se tornar grandes monopólios ou oligopólios e, por isso, veem vantagens em uma relação mais próxima com o Estado. “Essas empresas têm a tendência, assim como as empresas de mídias sociais, de se tornarem monopólios ou oligopólios gigantescos”, observou.

Na avaliação do pesquisador, a aproximação com o governo pode servir como uma barreira contra futuras ações regulatórias mais duras. “Elas veem que é muito interessante se unirem ao Estado, se tornarem quase sistemas híbridos, com muita regulação e com aspectos do trabalho delas ligados ao aparato de defesa americano, para que seja mais difícil quebrar essas empresas e para que uma ação antitruste não consiga separar ou limitar o poder delas”, explicou.

Ao comentar especificamente o caso da startup Anthropic, Gonçalves afirmou acreditar que a empresa tem adotado uma postura mais aberta ao diálogo público sobre regulação. “A empresa que tem sido mais generosa no sentido de vir a público e tentar entrar em comunicação com representantes da sociedade civil e membros do governo para criar um ambiente regulatório para a IA tem sido a Anthropic”, destacou.

Ainda assim, ele ressalta que essa disposição não decorre apenas de preocupações altruístas. “Não me parece que seja simplesmente caridade. Eles veem que essa tecnologia é muito perigosa, e esse elemento existe. Mas também é interessante para eles serem vistos como parte da política de segurança nacional dos Estados Unidos”, pontuou.

Para o pesquisador, esse posicionamento pode trazer benefícios concretos às empresas. “Isso vai protegê-las e, de certa forma, diminuir a regulação que o governo estará disposto a impor a elas”, concluiu. 

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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*Publicado por Jorge Fernando Rodrigues

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