Gato Preto vira réu por tentativa de homicídio em acidente de carro em SP

A Justiça de São Paulo tornou réu o influenciador Samuel Sant’Anna da Costa, conhecido como Gato Preto, por um acidente com um Porsche em 20 de agosto de 2025, na zona oeste de São Paulo, diz a defesa. Também foi determinada a suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) de Samuel e a venda antecipada do veículo.

A decisão foi tomada após denúncia do MPSP (Ministério Público de São Paulo) por duas tentativas de homicídio na forma dolosa, ameaça e infrações a três artigos do CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

Na data do ocorrido, Gato Preto dirigia o veículo de alto padrão na avenida Brigadeiro Faria Lima quando colidiu com outro carro, ocupado por um pai e um filho. O influenciador não prestou socorro às vítimas e fugiu do local. Além de não prestar socorro após a colisão, o denunciado teria ameaçado uma das vítimas. Apesar da gravidade do acidente, ninguém morreu. 

Defesa do influenciador diz ter recebido a decisão com surpresa, por entenderem que o caso é de lesão corporal na forma culposa, longe de ter dolo homicida.

A determinação da venda antecipada do Porsche Carrera 911 visa garantir eventual indenização por danos morais e materiais às duas vítimas envolvidas no acidente, Edilson Maiorano e Ivan Bartalot Pereira Maiorano.

A denúncia do MPSP

Na denúncia apresentada pelo MPSP, foi apontado que a a conduta de Samuel representou risco consciente de produzir o resultado morte, ampliado pelo estado de alteração causado pelas substâncias, pela velocidade e pelo desrespeito à sinalização.  

O promotor do caso, Lucas de Mello Schaefer, aponta que o influenciador ingeriu bebida alcoólica e drogas em uma casa noturna e assumiu a direção do carro, trafegando em alta velocidade e avançando o sinal vermelho antes de atingir lateralmente o veículo das vítimas.

O MPSP também pede que Gato Preto pague mais de R$260 mil em indenizações. Desses, seriam R$ 100 mil por danos morais para Ivan Bartalot Pereira Maiorano, R$ 75 mil por danos morais e R$ 18.186,60 por danos materiais para Edilson Maiorano e R$ 75 mil em danos morais coletivos.

O promotor também propôs uma transação penal à influenciadora Anna Beatryz Ferracini Ribeiro, ou Bia Miranda, então namorada do denunciado, que estava com ele no automóvel e também não prestou socorro. A proposta indica também o pagamento de R$ 150 mil, valor dividido entre as vítimas e uma entidade beneficente. 

A medida indicada à Bia abrange a ideia de que os crimes imputados a ela não envolvem violência ou grave ameaça e se enquadram nos requisitos legais previstos para esse tipo de acordo.   

Além do casal, o segurança de Gato Preto, Felipe Junior da Silva Souza, que os acompanhava em outro carro, também fugiu do local sem prestar socorro e alterou a cena do crime, segundo o MP.

A denúncia indica que Felipe deve realizar a reparação de danos no valor de R$ 10 mil às vítimas e o cumprimento de medidas alternativas, como prestação de serviços à comunidade ou pagamento adicional a entidade assistencial. 

Relembre o caso

O influenciador foi preso pela Polícia Militar após avançar no farol vermelho e colidir com outro carro em um cruzamento da avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste de São Paulo, na manhã do dia 20 de agosto de 2025. Na ocasião, Samuel e Bia Miranda haviam saído de uma balada. Além da colisão entre os dois carros, um farol também foi atingido no acidente.

Ele foi preso em seu apartamento, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Samuel foi levado para o 14º DP, em Pinheiros, na zona oeste da capital. Segundo registro policial, outro veículo também foi atingido na batida. Após o acidente, Gato Preto afirmou nos stories que “perdeu R$ 1,5 milhão”. 

De acordo com a Polícia Militar, que foi acionada no local, uma das vítimas do acidente, que estaria no veículo atingido, foi socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Alvorada. O caso foi registrado no 15º Distrito Policial (Itaim Bibi). 

Confira nota completa da defesa:

“Recebemos com surpresa a decisão da justiça de receber a denúncia do Ministério Público e tornar réu o Samuel, tendo em vista que a defesa entende que o caso é de lesão corporal na forma culposa e passa longe de ter dolo homicida, por mais que seja dolo eventual.

A defesa se solidariza com as vítimas desse triste acidente e busca justiça longe do calor emocional.”

*Sob supervisão de Jorge Fernando Rodrigues

 

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