“Galáxia da salsicha”: colisão que remodelou a Via Láctea deve se repetir

Uma colisão drástica deu origem a Via Láctea, segundo astrônomos da Universidade de Cambridge e Center for Computational Astrophysics do Flatiron Institute, ambas no Reino Unido e Estados Unidos, respectivamente.

A galáxia anã que colidiu com a nossa, cerca de 8 a 10 bilhões de anos – determinante para a história galáctica – ficou conhecida como “Galáxia da Salsicha”, moldando tanto o bojo interno quanto o halo estelar externo daquilo que conhecemos hoje.

Dados recentes indicam que um processo de remodelação similar é esperado no futuro, devido à trajetória de colisão da Grande Nuvem de Magalhães (LMC), que deve se fundir à nossa galáxia em aproximadamente dois bilhões de anos.

E qual a relação?

A LMC é o maior satélite atual da Via Láctea e está em sua primeira passagem pelo pericentro – ponto de uma órbita mais próximo do corpo central na astronomia – e assim como a “Salsicha”, sua massa elevada já está deformando o halo galáctico e alterando a órbita de estrelas e correntes estelares.

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A relação entre a Grande Nuvem de Magalhães (LMC) e a Galáxia da Salsicha (Gaia Sausage) reside no fato de serem os dois eventos de colisão mais significativos para a estrutura da Via Láctea, representando, respectivamente, o passado e o futuro da evolução galáctica.

Comparação

Embora a Galáxia da Salsicha tenha sido um objeto massivo, com mais de 10 bilhões de massas solares em gás, estrelas e matéria escura, a LMC é considerada ainda mais massiva, com estimativas de massa total entre 100 e 200 bilhões de massas solares.

A colisão com a Galáxia da Salsicha gerou o componente estelar chamado Splash, composto por estrelas do disco original que foram “chutadas” para órbitas caóticas e radiais.

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Atualmente, a LMC está provocando um fenômeno similar chamado movimento reflexo, onde as regiões centrais da Via Láctea se deslocam em relação ao halo externo, criando assimetrias na densidade e velocidade das estrelas, de forma análoga às perturbações deixadas pela “Salsicha”.

A principal relação temporal é que a LMC repetirá o destino da Galáxia da Salsicha. Enquanto os destroços da “Salsicha” estão agora espalhados ao nosso redor como evidências de um choque antigo, a LMC continuará orbitando nossa galáxia até sua fusão inevitável em cerca de dois bilhões de anos.

Esse evento futuro aumentará drasticamente a massa e a metalicidade do halo estelar, completando um ciclo de transformações iniciado bilhões de anos atrás pela Galáxia da Salsicha.

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