Fuga aos 82 anos e mansão perdida em jogo: quem foi o autor russo de “A Morte de Ivan Ilitch”, que virou febre após indicação de jogador do Galo

A indicação do livro A Morte de Ivan Ilitch pelo meio-campista Gustavo Scarpa, do Atlético-MG, fez as buscas pelo clássico do escritor russo Liev Tolstói dispararem no Brasil e motivou a criação do clube do livro “Galeitura” por torcedores.

Por trás da obra publicada em 1886, a trajetória do autor reúne fatos históricos marcantes, que incluem a venda da casa da família para quitar dívidas de jogo, a tentativa de criar uma nova doutrina espiritual e uma fuga doméstica aos 82 anos de idade.

Capítulos seriados e leitura em ritmo de “telenovela”

No século XIX, as obras de Tolstói não chegavam ao público no formato de livros impressos. A circulação da literatura russa ocorria por meio de revistas periódicas, onde os romances eram lançados em capítulos periódicos.

O público leitor acompanhava o desdobramento das tramas com expectativa semelhante à de espectadores de telenovelas e séries modernas, maratonando cada lançamento do romancista.

Aposta perdida e mansão desmontada tijolo por tijolo

Durante a juventude, marcada por hábitos boêmios, o escritor acumulou prejuízos financeiros em apostas. Em 1854, para quitar dívidas de jogo, Tolstói vendeu a edificação principal da propriedade de sua família.

O comprador, um latifundiário vizinho, desmontou a estrutura tijolo por tijolo e a reconstruiu em suas próprias terras, restando ao autor apenas os anexos da fazenda.

O plano de uma nova religião aos 27 anos

Em 1855, muito antes da crise espiritual registrada em sua maturidade, Tolstói anotou em seu diário o plano de fundar uma nova religião.

A proposta do jovem autor era estabelecer uma doutrina baseada nos ensinamentos de Cristo, porém desprovida de dogmas e focada em proporcionar a felicidade na Terra, em vez de promessas de recompensas futuras.

Conflitos familiares e fuga monitorada por telegrafistas

A rotina familiar do romancista, casado por quase 50 anos e pai de 13 filhos, enfrentou momentos de tensão na fase final de sua vida. O desgaste foi intensificado por divergências sobre a renúncia aos direitos autorais e pela convivência com seus seguidores.

Aos 82 anos, Tolstói decidiu abandonar sua residência e embarcou em um trem. O percurso do escritor foi transmitido por telegrafistas ao longo das estações ferroviárias russas até o agravamento de sua saúde e seu falecimento na estação de Astapovo.

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