A cidade de São Paulo recebeu nesta quinta-feira (13), o I Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, evento que reuniu representantes de governos, organismos internacionais, produtores, chefs, sommeliers e investidores para discutir o futuro do turismo de experiência e o desenvolvimento sustentável do setor.
Realizado no WTC Events Center, o encontro foi organizado pela Revista Adega, em parceria com a ONU Turismo, com apoio institucional do Ministério do Turismo e patrocínio da Prefeitura de São Paulo.
O fórum ocorreu em meio à expansão do mercado de enoturismo. Segundo dados apresentados durante o evento, o segmento global pode movimentar US$ 138,4 bilhões até 2033, com crescimento médio anual estimado em 13%.
Enoturismo como desenvolvimento regional
Durante o encontro, representantes do setor destacaram que o turismo ligado ao vinho pode gerar impactos que vão além das vinícolas, ao estimular a economia das regiões produtoras e criar empregos em áreas como gastronomia, hotelaria e serviços.
Christian Burgos, CEO da Inner Editora e publisher da Revista Adega, afirmou em entrevista à CNN Brasil que o enoturismo contribui para a permanência de trabalhadores nas regiões produtoras.
O enoturismo tem um pensamento sistêmico que, no final das contas, fixa o produtor e desenvolve a região produtora.
Embora o Rio Grande do Sul continue como principal referência brasileira na produção de vinhos, o setor também vem ganhando espaço em estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e no Distrito Federal.
A expansão envolve experiências que combinam vinhos, hospedagem, gastronomia e elementos da cultura local.
Turismo brasileiro registra recordes
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou durante o fórum o desempenho do setor no país.
Segundo os dados apresentados, o Brasil recebeu 5,26 milhões de turistas internacionais no primeiro semestre de 2026. O resultado é o segundo maior da série histórica e ocorre após o recorde anual de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros registrado em 2025.
Entre janeiro e junho deste ano, os gastos de turistas internacionais chegaram a R$ 28,7 bilhões, alta de 13% em relação aos R$ 25,5 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O mercado doméstico também apresentou números recordes. A movimentação de passageiros em voos nacionais alcançou 50,2 milhões no primeiro semestre de 2026.
Em relação ao emprego, o setor de turismo chegou a 2,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada em junho, segundo os números apresentados no evento.
São Paulo como destino turístico
O secretário municipal de Turismo de São Paulo, Gustavo Lopes, destacou a importância da capital como porta de entrada de turistas estrangeiros e centro gastronômico do país.
Segundo os dados apresentados no fórum, a cidade recebeu 47,2 milhões de turistas em 2025, sendo 3 milhões de estrangeiros.
Em maio de 2026, São Paulo registrou mais de 4 milhões de visitantes em um único mês.
A capital também reúne cerca de 156 mil bares e restaurantes, com 55 tipos de culinária. Durante o evento, foi destacada ainda a presença de restaurantes paulistanos no Guia Michelin.
Investimento e capacitação
Outro tema discutido foi a necessidade de aproximar produtores rurais de investidores e instituições de fomento.
Representantes de agências como Invest SP, Invest Minas e Invest RS participaram das discussões sobre financiamento e capacitação para pequenos e médios produtores.
A proposta é transformar a produção agrícola em experiências turísticas de maior valor agregado, com investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e criação de novos roteiros.
Guias para o setor
Como parte do legado do evento, foram lançadas duas publicações voltadas ao desenvolvimento do turismo de vinho e gastronomia.
O Guia ADEGA de Rotas de Vinhos das Américas, elaborado pela Revista Adega em colaboração com a ONU Turismo, reúne vinícolas, rotas e roteiros de diferentes países do continente. A publicação será disponibilizada em português, espanhol e inglês.
Também foi apresentado o guia internacional Good Practices in the Development of Gastronomy Tourism, produzido pela ONU Turismo em parceria com o Basque Culinary Center. O material reúne exemplos de boas práticas para orientar o desenvolvimento sustentável do turismo gastronômico.
O evento também contou com a participação de produtores de vinhos, cafés especiais, azeites, queijos artesanais e chocolates.
Para Heitor Kadri, diretor do Escritório Regional para as Américas da ONU Turismo, a cooperação entre governos, setor privado, academia e produtores pode aumentar a competitividade dos destinos turísticos e ampliar a oferta de experiências de maior valor agregado.