O FMI (Fundo Monetário Internacional) destacou o Pix como um dos pilares da modernização e do aumento da competitividade no sistema financeiro brasileiro.
O sistema de pagamentos instantâneos foi elogiado por ampliar a inclusão financeira e a eficiência dos serviços oferecidos à população. A avaliação consta na revisão do World Economic Outlook, divulgado nesta quinta-feira (23).
Entretanto, os relatórios de 2026 apontam que o país precisa de um reforço imediato no arcabouço legal e no suporte financeiro do Banco Central.
A recomendação busca assegurar condições adequadas para o financiamento das atividades da autarquia, a recomposição de seu quadro de servidores e a modernização do sistema de resolução bancária, alinhando-o aos padrões internacionais para garantir a estabilidade diante da ampliação das competências do BC.
Crescimento acima das expectativas
Apesar dos desafios institucionais, o FMI elevou a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2,4% em 2026, um número mais otimista do que as previsões do Ministério da Fazenda, do Banco Central e do mercado financeiro.
A previsão é impulsionada pela resiliência da demanda interna e pelo papel do Brasil como exportador líquido de petróleo, beneficiado pelos altos preços da energia no mercado global.
O cenário macroeconômico, no entanto, apresenta sinais de alerta. A inflação, segundo o FMI, deve encerrar 2026 em 5,6%, superando o teto da meta de 4,5%, com a convergência para o centro da meta, de 3%, esperada apenas para meados de 2028.
Paralelamente, a dívida bruta do governo geral deve atingir 97,8% do PIB este ano, com o risco de saltar para 106% até 2035 se não houver novas medidas fiscais.
Para reverter a trajetória da dívida, o FMI recomenda um ajuste fiscal de 3 pontos percentuais do PIB entre 2026 e 2031, e sugere medidas como a eliminação de despesas tributárias consideradas ineficientes ou regressivas, a desvinculação do reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, e o fim dos pisos constitucionais para gastos com saúde e educação.
Riscos externos e tensões comerciais
O Fundo alerta que a economia brasileira permanece vulnerável a choques externos, especialmente a escalada de conflitos no Oriente Médio, que pode pressionar a inflação global.
Além disso, o cenário comercial se tornou mais complexo com o aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, o que pode elevar o prêmio de risco e desestimular o investimento privado.
Por outro lado, a ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia é vista como uma oportunidade para elevar as exportações agrícolas em até 14% no longo prazo.