A oposição israelense deve ter coragem de aceitar o apoio do bloco árabe para formar um governo e evitar uma nova rodada de eleições em Israel. Essa é a avaliação de Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, em entrevista ao WW.
Segundo Zahreddine, uma nova eleição seria prejudicial à coalizão que tenta derrubar o Likud. Um dos fatores apontados pelo especialista é o esforço que a oposição fez para mobilizar eleitores israelenses que vivem fora do país.
“Para votar nas eleições de Israel, tem que voltar para Israel”, explicou, destacando que, diferentemente de outros países, os israelenses no exterior precisam retornar fisicamente ao território nacional para exercer o voto, com exceção das autoridades diplomáticas.
Riscos de uma nova rodada eleitoral
Além da possível queda no número de votos, Zahreddine alertou para outro risco: a necessidade de um governo de transição, o que significaria a continuidade de Netanyahu no poder.
Nesse cenário, o especialista avaliou que novas ações militares — contra o Irã, os Houthis ou na Cisjordânia — poderiam ocorrer com base no apelo à segurança nacional.
“O próprio Eisenkot colocou que Netanyahu não deveria brincar com a questão da segurança nesse momento ou usar a segurança como um instrumento político”, ressaltou.
Para Zahreddine, a decisão mais complexa do momento está nas mãos da oposição. “A bola está com a oposição”, afirmou, acrescentando que o Eisenkot e partidos como o Yashar e o Israel Minha Casa precisam demonstrar disposição política para aceitar os árabes como parte da coalizão.
Segundo o especialista, essa seria a única saída viável para derrubar Netanyahu sem recorrer a novas eleições, cujo resultado poderia ser ainda pior para a oposição.