O que muda para as famílias que decidem como imunizar as crianças?
A dinâmica imediata pouco muda: os pais ainda podem solicitar vacinas que foram transferidas para a lista de “tomada de decisão clínica compartilhada”, e a Casa Branca afirma que a ordem não afeta o programa “Vaccines for Children”, que fornece imunizantes gratuitos a famílias que não têm condições de pagá-los e está vinculado às diretrizes do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças).
O governo espera, embora não tenha garantido, que as seguradoras privadas continuem cobrindo as vacinas que tiveram sua distribuição alterada.
A Blue Cross Blue Shield, grupo composto por empresas independentes que oferecem seguro de saúde, e a CVS, rede americana de farmácias, informaram que continuarão cobrindo as vacinas infantis recomendadas pelo CDC sem cobrança de coparticipação, enquanto analisam a ordem de recomendação.
Os impactos mais significativos são indiretos. Dividir as doses entre consultas médicas distintas, Trump sugeriu cinco aos 12 meses de idade, implica mais consultas e possíveis despesas do próprio bolso para as famílias, sem que as autoridades esclareçam como esses custos seriam cobertos.
Pediatras alertam que as mensagens contraditórias do governo federal levarão alguns pais a adiar ou deixar de aplicar as vacinas.
Algumas medidas não podem entrar em vigor imediatamente. A divisão da vacina MMR (tríplice viral) não é possível atualmente, pois nenhuma empresa comercializa vacinas licenciadas e isoladas contra sarampo, caxumba ou rubéola nos Estados Unidos.
Autoridades informaram que o órgão federal de saúde trabalhará com os fabricantes em um solução no prazo de 90 dias.
Como são os estados, e não Washington, que definem os requisitos para o ingresso na escola, a ordem pressiona os estados a adotarem o cronograma mais restrito, contando com o respaldo de uma diretriz do Departamento de Justiça de processá-los judicialmente por suas leis de isenção.
O que os médicos especialistas dizem sobre a ordem?
As principais associações médicas rejeitaram, de modo geral, a determinação, afirmando que não há novas evidências científicas que justifiquem uma mudança.
A Academia Americana de Pediatria afirmou que isso causaria confusão entre os pais e atrasaria a vacinação.
A entidade reiterou que décadas de estudos não mostram qualquer ligação entre vacinas e autismo.
Estima-se que a substituição da vacina combinada MMR por versões para doenças isoladas levaria cerca de uma década.
Vários grupos, incluindo a IDSA (Sociedade de Doenças Infecciosas da América) e a NFID (Fundação Nacional de Doenças Infecciosas), afirmaram que isso exporia mais crianças a doenças e mortes evitáveis.
Qual é a ciência por trás do cronograma?
Especialistas em saúde pública elaboram um cronograma estudando como uma doença se dissemina, quem adoece, e em que idade, a fim de proteger as crianças nos momentos mais seguros e eficazes.
É por isso que a maioria das imunizações ocorre nos primeiros 12 a 18 meses de vida, antes da provável exposição.
A AAP (Academia Americana de Pediatria) afirma que o cronograma e a combinação das vacinas coincidem com os momentos de maior eficácia e de maior vulnerabilidade das crianças, e que a administração de múltiplas vacinas não sobrecarrega o sistema imunológico infantil.
Os calendários variam de acordo com o país devido a diferenças nas ameaças de doenças, na demografia, nos custos e nos sistemas de distribuição.
O cronograma anterior dos EUA abrangia 18 doenças, em comparação com uma média de cerca de 14 em países comparáveis, com a Coreia do Sul e o Brasil também registrando 18, o que contraria a alegação do governo de que os EUA seriam um caso atípico.