A Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas) é um ponto fraco crescente no campo geomagnético da Terra, localizado entre a África e a América do Sul. Essa falha permite que a radiação solar se aproxime da superfície, aumentando a exposição de satélites e missões espaciais a partículas ionizantes.
Um estudo utilizou registros de cerâmicas arqueológicas e fragmentos de fornos do noroeste da Argentina para mapear essas flutuações magnéticas nos últimos 2.000 anos.
Os resultados indicam que a evolução desta anomalia está diretamente ligada a mudanças na energia positiva e negativa do planeta.
A ciência por trás da descoberta
Para entender o comportamento do magnetismo terrestre no passado, pesquisadores analisaram materiais arqueológicos de locais como o Vale de Santa María e a Puna de Jujuy.
Através do método de Thellier – técnica padrão usada para determinar a intensidade do campo magnético da Terra no passado – os cientistas mediram a magnetização remanescente na argila queimada das cerâmicas.
Essa metodologia permitiu filtrar informações pouco confiáveis de estudos anteriores, resultando em um conjunto de dados mais robusto para a região da América do Sul.
O novo modelo SHAWQ2k-SH
Os dados coletados foram integrados ao modelo global atualizado, denominado SHAWQ2k-SH. Este modelo revelou que, entre os anos 700 e 1200 d.C., houve uma redução significativa na intensidade máxima do campo magnético que era prevista em reconstruções anteriores.
Antigamente, a maioria dos dados sobre o magnetismo vinha do Hemisfério Norte, já que mais de 90% das informações magnéticas históricas disponíveis concentravam-se na região.
O estudo demonstra que a Anomalia do Atlântico Sul não é um fenômeno estático, mas um reflexo de variações complexas no núcleo da Terra que afetam a proteção magnética do continente.
Impactos e perspectivas
A compreensão da trajetória da AMAS é essencial para a tecnologia moderna, pois a fraqueza do campo magnético nesta região pode afetar a operação de satélites e sistemas de comunicação.
Além disso, o registro de 2.000 anos fornece uma base para futuras pesquisas sobre como essas flutuações magnéticas podem influenciar o ambiente terrestre a longo prazo.
O estudo reforça a importância da arqueologia na geofísica, utilizando objetos cotidianos de civilizações passadas para solucionar mistérios sobre a dinâmica interna do planeta.