Embaixador dos EUA critica impunidade de colonos violentos na Cisjordânia

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, reuniu-se no sábado (5) com palestinos com cidadania norte-americana, incluindo familiares de cidadãos mortos durante ataques de colonos em uma cidade na Cisjordânia ocupada — local que tem sido alvo da violência de israelenses.

O governo israelense condenou a violência dos colonos, embora os autores raramente sejam presos e, com ainda menos frequência, processados.

Washington não criticou o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em relação à violência, mas pediu que os autores sejam processados, com Huckabee classificando-os como “terroristas”.

Huckabee descreveu como “construtiva” a reunião realizada em Turmus Ayya, cidade onde a maioria dos moradores palestinos possui cidadania norte-americana.

Embora Huckabee — pastor batista e defensor de longa data dos assentamentos israelenses — já tenha defendido anteriormente que colonos violentos sejam processados, ele também afirma acreditar que eles representam uma minoria dentro da comunidade de colonos, que conta com cerca de 750 mil pessoas.

Cerca de 3 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia, sendo que estima-se que dezenas de milhares deles sejam cidadãos norte-americanos.

Os palestinos na Cisjordânia têm enfrentado um aumento na violência dos colonos, ao mesmo tempo em que suas liberdades vêm sendo cada vez mais restringidas sob a ocupação militar, desde que a coalizão de Netanyahu — a mais à direita na história de Israel — assumiu o poder no final de 2022.

Em Turmus Ayya, os palestinos enfrentam o que o prefeito Nawwaf Zaghoul descreveu como ataques constantes de colonos.

Cerca de 80% dos moradores da cidade palestina possuem cidadania norte-americana, segundo ele.

Visitas a Shiloh

Assentamentos israelenses foram estabelecidos ao redor da cidade, incluindo Shiloh, local que Huckabee visitou duas vezes desde 2025.

Huckabee, o primeiro cristão evangélico a servir como embaixador dos EUA em Israel, refere-se à Cisjordânia como Judeia e Samaria — sua denominação bíblica —, termo utilizado pelo governo israelense, mas não adotado pelos Estados Unidos.

o embaixador disse a repórteres em Turmus Ayya que era do interesse do governo israelense agir contra aqueles que praticam “comportamento criminoso e terrorismo”, e que um “grupo minúsculo de pequenos saqueadores” — que, segundo ele, somava algumas centenas de pessoas — estava prejudicando a reputação do país.

Ele também afirmou ter dito a palestinos americanos que a embaixada dos EUA não tinha poder ou autoridade para tomar medidas concretas, podendo apenas tentar influenciar e chamar a atenção para questões que o governo americano considerava precisarem de correção.

Em janeiro de 2025, logo após reassumir o cargo, o presidente Donald Trump revogou sanções impostas pela administração Biden a grupos de colonos israelenses de direita e a indivíduos acusados ​​de envolvimento em atos de violência contra palestinos na Cisjordânia ocupada.

Yasser Alkam, um palestino americano e porta-voz do município, discordou da afirmação de Huckabee de que apenas algumas centenas de colonos estariam praticando violência contra palestinos. Eram milhares, disse ele, e não centenas.

“Os Estados Unidos têm, sim, poder para pressionar Israel a pelo menos prender esses colonos, que são conhecidos pelas autoridades”, disse ele aos repórteres. “Eles podem identificá-los, um por um, e prendê-los, se quiserem, com a pressão adequada da embaixada dos EUA e da administração do país.”

Entre as pessoas que se reuniram com Huckabee no sábado estava Hadeel Jabara, uma palestina americana e mãe de duas crianças pequenas; seu marido, Omar — residente permanente legal dos EUA —, foi morto quando ele e outras pessoas entraram em confronto com colonos que “promoviam uma onda de violência” em Turmus Ayya em junho de 2023, segundo o grupo israelense de direitos humanos B’Tselem.

O B’Tselem informou que Omar foi baleado no peito por policiais de fronteira israelenses no local.

Jabara descreveu a reunião com Huckabee como positiva, acrescentando que esperava que o governo dos EUA pudesse ajudar a proteger os moradores e que temia pela segurança de seus filhos.

Pelo menos seis palestinos americanos foram mortos na Cisjordânia, seja por militares israelenses ou por colonos, desde 2024.

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