É difícil que Lula reverta classificação dos EUA sobre PCC e CV, diz Arko

A classificação dos Estados Unidos sobre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas dificilmente será revertida pelo governo brasileiro no curto prazo. A avaliação é de Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, em entrevista ao Hora H.

Segundo Thiago, a situação envolve tanto a possibilidade real de sanções quanto um instrumento de pressão nas negociações entre os dois países.

De acordo com Aragão, as sanções não seriam aplicadas diretamente ao governo brasileiro, mas sim ao sistema financeiro do país.

“Você acaba podendo ver um banco brasileiro sendo sancionado por conta de algo indireto”, afirmou.

Ele explicou que a interpretação americana é subjetiva e não segue um roteiro pré-estabecido claro, o que gera incerteza para o setor bancário.

Minerais críticos como moeda de negociação

O especialista destacou que os Estados Unidos têm um interesse estratégico nos minerais críticos brasileiros, o que confere ao Brasil um peso significativo nessa disputa.

Aragão lembrou que a China possui 51 milhões m³ de reservas, enquanto o Brasil tem 21 milhões, muito à frente dos demais países.

“O Brasil é um player muito importante nisso”, disse. Segundo ele, os EUA enxergam o Brasil como o “fiel da balança” capaz de equilibrar o acesso a essas reservas em relação à China.

Aragão ponderou que as tarifas impostas ao Brasil não foram suficientes para forçar negociações, uma vez que as exportações brasileiras para os EUA correspondem a cerca de 10% do total, com metade isenta de tarifas.

“Pela primeira vez, o governo americano coloca algo na mesa que pode elevar a pressão em cima do governo brasileiro para negociar“, avaliou, referindo-se à classificação dos grupos criminosos como organizações terroristas.

Possibilidade de reversão depende de avanços concretos

Questionado sobre a possibilidade de reversão da classificação, Aragão foi cauteloso.

“É muito difícil, porque a razão teria que ser muito forte”, declarou.

Ele apontou que, em tese, um acordo de cooperação na área de crime organizado, combinado com avanços na questão dos minerais críticos, poderia abrir espaço para Donald Trump recuar na denominação.

“Pode dizer que essa cooperação está funcionando tão bem que ele não vê mais a necessidade de classificá-los como grupos terroristas”, exemplificou.

O especialista também revelou que a decisão de publicar a classificação foi resultado de uma disputa interna no governo americano.

Segundo Aragão, o Departamento do Tesouro, em Washington, inicialmente era contrário à medida, por conta da pressão que ela gera sobre os bancos americanos que operam junto com instituições brasileiras.

“Isso foi uma queda de braço entre o Departamento de Estado e o Departamento do Tesouro”, afirmou.

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