Procedimentos químicos realizados com frequência nos salões de beleza podem prejudicar seriamente a saúde dos cabelos. No CNN Sinais Vitais deste sábado (1º), o Dr. Roberto Kalil conversou com a dermatologista Letícia Nanci e a endocrinologista Denise Iezzi, ambas profissionais do Hospital Sírio-Libanês, a respeito do tema.
Segundo Letícia Nanci, esses procedimentos podem sim levar a quadros de queda de cabelo, mas com uma característica específica. “Geralmente não é o afinamento, não é a atrofia do folículo. São quadros de dano na haste, então a gente fala que é uma queda de cabelo por quebra do folículo“, explicou a especialista.
As descolorações foram apontadas por ela como “grandes vilãs”, assim como os alisamentos e as escovas progressivas.
Nanci alertou que o uso recorrente de escovas progressivas ao longo de muitos anos representa um risco mais grave. “Se feita com uma frequência muito grande durante muitos anos seguidos, pode sim levar a um quadro de alopecia“, afirmou.
A especialista também mencionou que esse tipo de procedimento pode causar afinamento e atrofia dos folículos capilares, além de absorção sistêmica de substâncias. Foi justamente por esse risco que o formol foi proibido em produtos para alisamento.
Doenças endocrinológicas
Denise Iezzi abordou a relação entre doenças endocrinológicas e a perda de cabelo. No caso do diabetes, ela explicou que os fios geralmente voltam a crescer quando a causa do problema é tratada. “Volta porque a causa normalmente é nutricional, mau controle. Não é o diabetes causando”, disse.
No entanto, a especialista ressaltou que, quando há comprometimento vascular da microvasculatura do couro cabeludo, pode haver atrofia dos folículos. Nesses casos o exame dermatológico é indispensável.
Iezzi reforçou ainda que o tratamento para esses casos deve ser multidisciplinar e sem demora.
Suplementos para a saúde capilar
Outro ponto debatido pelas duas profissionais foi a crescente oferta de suplementos voltados para a saúde capilar, como biotina, colágeno e gomas. Nanci foi direta: “Normalmente não funcionam, e principalmente sem orientação médica.”
Segundo ela, esses produtos podem ser eficazes apenas em casos de déficits nutricionais comprovados. “A biotina, que é muito divulgada, é muito difícil um paciente com déficit de biotina“, pontuou.
Quanto ao colágeno, a dermatologista afirmou não haver estudos que comprovem melhora capilar com o seu uso.
Iezzi acrescentou um alerta importante sobre a biotina: o suplemento pode interferir nos resultados de exames de tireoide e hormonais. “Você tem que orientar, suspender quatro dias antes, pelo menos”, orientou.
Segundo ela, sem essa precaução, o paciente pode chegar a uma consulta com resultados laboratoriais alterados de forma incorreta, comprometendo o diagnóstico.