Dívidas, impostos e privatizações marcam primeiro debate em Minas

Organizados em ordem alfabética no estúdio, os candidatos ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo e Mateus Simões (PSD), se enfrentaram pela primeira vez em debate promovido pela TV Bandeirantes neste domingo (16). Patrus Ananias (PT) foi convidado, mas não compareceu ao debate. Sua justificativa foi que estaria em um evento de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo e não voltaria a tempo do debate.

O pontapé inicial foi dado com uma pergunta feita para todos os candidatos sobre como iriam enfrentar o rombo fiscal do estado.

Para Kalil, o primeiro a responder segundo a regra do debate, um dos principais problemas do endividamento foi o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), programa federal de renegociação de dívidas que permitiu a Minas Gerais refinanciar um débito de cerca de R$ 179 bilhões com a União por 30 anos. O Propag também foi relembrado por Flávio Roscoe, que afirmou que faria um “pacotaço” para destravar o estado.

O senador Cleitinho destacou a isenção fiscal de aproximadamente R$ 26 bilhões que o governo mineiro concedeu às empresas do estado e sublinhou a revisão dos contratos firmados por Minas.

Após responderem ao primeiro questionamento, foram disponibilizados dez temas para que os candidatos se perguntassem, os assuntos escolhidos foram feminicídio, dívidas do Estado, privatização da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), mineração e rodovias estaduais.

Na abertura da modalidade, Simões questionou Kalil sobre uma fala do candidato do PDT em 2022, em que alegava que feminicídio era muito complexo e não era problema do estado.

Em resposta, Kalil afirmou que o assunto é pauta do executivo estadual, não da prefeitura. “Faltam 7 mil policiais no efetivo da polícia; é a polícia mais mal paga do país. Quando eu fui prefeito, eu criei a ‘Casa Sempre Viva’, que era de acolhimento da mulher. Pus a polícia feminina. Quem tem que falar de feminicídio é o governo, que há 13 anos está sucateando e liquidando. O senhor liquidou a polícia militar, que precisava de respeito. O que o senhor fez com a polícia militar de MG foi um desrespeito. Estamos falando de um governo que fechou 126 delegacias de mulheres”, respondeu.

Na sequência, o Propag voltou à pauta por Kalil, que questionou se Cleitinho leu a proposta antes de aprovar o programa federal.

“Eu li, mas infelizmente o PROPAG é um mal necessário. Igual uma quimioterapia para combater um câncer. Não adianta apontar o dedo ao governo federal”, respondeu o senador que também criticou a gestão do ex-governador e candidato à Presidência Romeu Zema (Novo).

Em seu turno para perguntar, Cleitinho mirou o candidato Gabriel Azevedo e o questionou se era a favor ou não da privatização da Cemig.

Azevedo adiantou que a privatização da estatal já começou e alegou que a Cemig virou “um feudo de indicação política” e acrescentou: “A Cemig comigo não será dessa forma. Aqui é um candidato livre de Vorcaro – ao contrário do governo atual”. Cleitinho aproveitou a réplica para dizer que não sente vontade de privatizar a empresa, citando o lucro de R$ 5 bilhões de reais. Entretanto, criticou que a companhia “virou cabide de emprego e negociação política”.

Seguindo a tabela, Azevedo questionou Flávio Roscoe sobre mineração e perguntou ao candidato do PL como proteger o meio-ambiente e evitar a corrupção.

Roscoe ressaltou a importância da mineração em Minas Gerais. “Nós dependemos desse setor, que é muito importante (…) e sempre defendi a mineração sustentável. Nunca defendi e nem aprovo mineração irregular. A mineração irregular deve ser punida com força da lei”.

Para encerrar o primeiro bloco, Roscoe perguntou ao candidato Mateus Simões como ele previa mudar o cenário trágico das estradas de Minas Gerais. O atual governador iniciou sua resposta acrescentando que as rodovias não tocam apenas no tópico do desenvolvimento como, também, na vida das pessoas, explicando que perdeu um irmão e os pais em acidentes nas estradas mineiras.

“Eu e Zema coordenamos o maior volume de investimentos em mais de três décadas em recuperação asfáltica, mas não foi suficiente ainda. Só conseguimos rever 10 mil dos 24 mil quilômetros de estrada do estado.”

“Para completar o projeto, precisamos de investimentos. A ideia é fazer um ciclo de melhoria de renda, para que o cidadão possa viver melhor, consumir mais e trazer mais dinheiro para o governo do estado, para que a gente possa corrigir esse que é o nosso maior déficit de investimentos (..) Hoje investimos 2 bilhões de reais por ano. O ideal seriam 4 bilhões”, completou.

Segundo bloco

O segundo bloco foi marcado por perguntas de tema livre feitas entre os candidatos. Ao inaugurar as perguntas, o senador Cleitinho Azevedo questionou Gabriel Azevedo sobre a apreensão de veículos por falta de pagamento do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), cuja ação o candidato do Republicanos afirmou que extinguirá caso eleito.

Azevedo utilizou a pergunta para questionar a sonegação de impostos por parte dos empresários. “Em geral, nós estamos falando de bilhões de subsídios. Mas é bilhões mesmo. Então, nisso eu me identifico com você. Não pode ter um governo injusto. A gente tem que rever esses subsídios e criar uma política de respeito ao cidadão.”

O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte utilizou sua vez para questionar Alexandre Kalil sobre seu plano para os entregadores de aplicativo.

Kali, ao responder, ressaltou que, durante sua gestão como prefeito da capital mineira, fez um debate entre motoristas e que “queria resolver um problema que a modernidade impôs na minha época na prefeitura”.

O ex-prefeito da capital mineira foi novamente alvo de perguntas, desta vez de Mateus Simões, sobre acusações de nepotismo durante seu mandato de prefeito em Belo Horizonte e citou que processou o candidato do PDT duas vezes quando ocupava o cargo de vereador. Em resposta, Kalil negou as acusações.

“Eu não respondo a um processo por corrupção na minha vida. Eu fui absolvido. O meu processo é de um funcionário de R$ 5 mil, um veterinário. Mas pegar avião para jogar com o dinheiro da prefeitura? Deixa eu te falar: eu quero levar a coisa num bom nível. O que eu estou falando para você é o que está em jornal”, argumentou.

Flávio Roscoe direcionou sua pergunta ao Cleitinho para entender seus planos para a educação em Minas Gerais. Cleitinho ressaltou que revisaria o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e ressaltou que escolherá uma mulher de carreira para a Secretaria de Educação.

“Eu vou investir dentro das escolas estaduais. A gente precisa trazer investimentos para os professores, saúde mental para os professores, porque a gente sabe hoje como é que estão os adolescentes e as crianças. Esse mundo moderno, essa questão de redes sociais, hoje não tem respeito com os professores. Então, a gente precisa também tratar de saúde mental com os professores”, respondeu.

Terceiro bloco

No último bloco de perguntas antes das considerações finais, saneamento básico e combate ao crime organizado foram os temas que predominaram. Nesta parte, um jornalista perguntava a um candidato e tinha sua resposta comentada por outro postulante.

O primeiro a responder uma questão de um jornalista sobre medidas para reduzir a desigualdade de acesso ao saneamento básico após a privatização da Copasa Companhia de Saneamento de Minas Gerais foi Flávio Roscoe, que defendeu a privatização.

“Ao fazer a privatização abre-se espaço para que muitos municípios possam procurar suas opções e para que a Copasa possa levantar recursos para atender os mineiros”, disse Roscoe.

O senador Cleitinho Azevedo foi questionado sobre como uma medida de redução do IPVA iria compensar o déficit da arrecadação das prefeituras.

“Não vai zerar o IPVA. Vai simplesmente não apreender veículos por causa de pagamento de IPVA. Eu sei muito bem da situação do Estado (…) Vocês vão ver que o Estado não vai deixar de arrecadar, as prefeituras não precisam ficar com medo”, disse o candidato do Republicanos

O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil foi questionado sobre cortes de impostos para empresas, quando afirmou que as isenções impostas no mandato de Romeu Zema são assustadoras.

“Precisamos saber onde vamos arrecadar porque há isenções importantes. Essa conta que eu quero é alarmante para Minas Gerais, essa conta vai custar o governo do Estado. Isso é assustador.”

A segurança pública foi o assunto perguntado a Gabriel Azevedo que utilizou sua fala para dizer que o atual governador Mateus Simões traiu a polícia militar. “Prometeu um aumento salarial e descumpriu. Essa falta de palavra fez com que as organizações criminosas chegassem em Minas Gerais.”

Ao fim do debate, cada candidato teve um minuto para apresentar suas considerações finais ao eleitor mineiro. Enquanto o apresentador anunciava as regras da modalidade, Azevedo afirmou que Kalil o xingou. Ambos tiveram seu microfone desligado.

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