Disparada do S&P 500 contrasta com estabilidade em ativos americanos

Nem a escalada das tensões geopolíticas nem o ambiente de juros em trajetória ascendente impediram a recuperação da bolsa americana no segundo trimestre. 

O S&P 500 avançou 14,9% no período, registrando seu melhor desempenho desde a recuperação dos mercados após a pandemia e reacendendo o debate  entre investidores sobre até que ponto a valorização das empresas ligadas à IA pode estar antecipando expectativas excessivamente otimistas.

A força do mercado americano surpreendeu mesmo diante de um cenário que, historicamente, costuma pressionar os ativos de risco, avalia Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro. 

Apesar da forte valorização do índice, Godoy ressalta que o movimento não ficou restrito às gigantes de tecnologia.

“Essa valorização não ficou apenas nas grandes empresas. O Russell 2000, índice que reúne duas mil small caps americanas, também avançou cerca de 20%, registrando sua maior alta desde 2020. Ou seja, não foram apenas as big techs que chamaram atenção, mas um movimento mais amplo dentro do setor de tecnologia.”

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que o desempenho da bolsa americana representou um comportamento atípico diante do cenário macroeconômico.

“Quando há guerra e juros elevados, normalmente a bolsa tende a cair. Se retirarmos as ações de tecnologia do S&P 500, o desempenho do índice foi bem mais fraco. O que aconteceu foi uma revolução tecnológica tão significativa que compensou a queda observada em outros setores da economia, algo bastante raro”, observa.

Além disso, Marilia explica o motivo de os investidores concentrados em índices como o S&P 500 ou em ETFs conseguirem capturar boa parte dessa valorização.

“Quando olhamos empresas da velha economia ou que não estão ligadas à IA, vemos um desempenho muito mais fraco, refletindo os efeitos da guerra e dos juros elevados. Quem participou desse movimento foi, principalmente, quem investia em ETFs ou tinha forte exposição ao setor de tecnologia. Outros ativos, como títulos prefixados, bitcoin e até o ouro enfrentaram um cenário mais desafiador”, complementa.

Para Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, o comportamento recente dos mercados reforça a importância da diversificação, especialmente em momentos de elevada incerteza. 

“No mercado financeiro, muitas vezes levamos um choque de humildade. Imaginamos que uma guerra, a alta do petróleo ou dos juros vão derrubar os mercados, mas o mercado costuma surpreender. A principal lição é evitar posições radicais: não comprar tudo nem vender tudo. Isso vale para ações brasileiras e americanas, bitcoin, renda fixa, Tesouro Direto ou qualquer outro investimento. Quem mantém uma carteira diversificada costuma atravessar melhor períodos de incerteza.” 

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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