Deolane ligada ao PCC: o que se sabe e quais são os próximos passos

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Segundo as investigações, a operação mira um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Ao todo, a Justiça autorizou seis prisões preventivas, além de bloqueios patrimoniais e medidas cautelares contra empresas e bens ligados aos investigados.

Os alvos da operação

Entre os alvos da Operação Vérnix estão nomes conhecidos do público e pessoas apontadas como integrantes da estrutura financeira do PCC.

Segundo apuração da CNN Brasil, os mandados atingem:

  • Deolane Bezerra – presa em Barueri, na Grande São Paulo;
  • Everton de Souza, conhecido como “Player” – apontado como operador financeiro do esquema;
  • Marcos Willians “Marcola” Herbas Camacho – principal liderança do PCC, já preso em penitenciária federal;
  • Alejandro Camacho –  irmão de Marcola, também preso em unidade federal;
  • Paloma Sanches Herbas Camacho – sobrinha de Marcola, considerada foragida e apontada como estando na Bolívia;
  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho – sobrinho de Marcola, considerado foragido e apontado como estando em Madri, na Espanha.

Segundo a investigação, os dois últimos tiveram mandados incluídos na Difusão Vermelha da Interpol.

“Nova face do PCC”

Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (21), o promotor Lincoln Gakiya afirmou que Deolane faria parte da “arquitetura financeira” do PCC desde 2022.

Segundo ele, a influenciadora integra o que chamou de “nova face” da facção, formada por pessoas que não seriam integrantes batizadas do grupo criminoso, mas que ajudariam na movimentação financeira e lavagem de dinheiro.

No caso dela [Deolane], contas particulares foram usadas de forma ilegal para ocultar dinheiro.”]Ela não é uma integrante batizada do PCC, porém é uma peça fundamental […] No caso dela [Deolane], contas particulares foram usadas de forma ilegal para ocultar dinheiro.

Promotor Lincoln Gakiya

O promotor também declarou que Deolane mantinha proximidade com familiares de Marcola e Alejandro Camacho, incluindo participação em festas, viagens e encontros da família.

Bilhetes e início da investigação

O caso teve início em 2019, após a apreensão de manuscritos e bilhetes com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Segundo as investigações, os documentos descreviam dinâmicas internas do PCC e mencionavam uma “mulher da transportadora”, que ajudaria em ataques contra agentes públicos.

Esta “mulher” não teve a identidade revelada pela investigação. A partir disso, foram instaurados três inquéritos sucessivos.

O primeiro investigou os presos encontrados com os manuscritos. O segundo identificou a empresa Lopes Lemos Transportes, apontada como instrumento de lavagem de dinheiro da facção.

Já durante a chamada Operação Lado a Lado, a apreensão de um celular revelou conversas e comprovantes bancários que, segundo os investigadores, conectariam Deolane a Everton de Souza, conhecido como “Player”.

Segundo o documento, “foram encontrados comprovantes de depósitos destinados às contas vinculadas à investigada”. Para a polícia, esse conjunto de registros seria compatível com atuação operacional dentro da estrutura financeira investigada.

Onde Deolane está presa

Após passar por audiência de custódia virtual nesta quinta-feira (21), a Justiça manteve a prisão preventiva de Deolane. Ela está detida na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na zona Norte da capital paulista.

Segundo apuração da CNN Brasil, a influenciadora deverá ser transferida para a cidade de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Ao deixar o Palácio da Polícia, no Centro da capital, Deolane falou rapidamente com jornalistas e afirmou que “a justiça será feita”.

Filho movimentou R$ 11 mi

De acordo com o inquérito policial, obtido pela CNN BrasilGiliard Vidal dos Santos, filho de Deolane, já chegou a movimentar mais de R$ 11 milhões em suas contas bancárias, valor considerado “discrepante” pelas investigações, uma vez que o jovem não tem histórico de ocupação formal ou atividade empresarial consolidada.

A análise das contas feita pela Polícia Civil considerou o período entre julho de 2022 e maio de 2024.

O documento ainda aponta para os valores observados nas contas do investigado no ano de 2023, quando Giliard chegou a movimentar mais de R$ 6 milhões, enquanto declarava cerca de apenas R$ 32.900,00 em rendimentos.

Veículos apreendidos

o todo, a justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros que superam o marco de R$ 327 milhões. Também foram alvos de sequestro 17 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis vinculados aos investigados.

Apenas da influenciadora foram apreendidos quatro desses carros, sendo eles: uma Range Rover, um Escalade,  um Jeep Limited e um Mercedes-AMG. Ao todo, estima-se o que os veículos juntos ultrapassam valores milionáriod.

Próximos passos

A investigação segue sob responsabilidade do Gaeco de Presidente Prudente e da Polícia Civil de São Paulo.

Leia também: “Quem lava R$ 24,5 mil?”, diz irmã de Deolane em nova publicação

Além das prisões preventivas, a operação também mira bloqueios patrimoniais, movimentações financeiras e empresas supostamente utilizadas para ocultação de recursos ligados ao PCC.

As defesas dos investigados se manifestaram ao longo do dia e negam irregularidades.

Outro lado

Em nota, a defesa de Deolane se manifestou na noite desta quinta-feira (21). Leia na íntegra:

“A defesa técnica da advogada dra Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos que resultaram em sua prisão preventiva na data de hoje, 21.05.26: inicialmente ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno. Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário”. 

Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogadaVeja nota na íntegra:

“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social. Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”

A defesa de Marcola também se manifestou por meio de nota. Confira:

“Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público. É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a ‘aquela mulher da transportadora’, referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda. A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco. O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade. As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais – relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes. É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em ‘indicios e ‘suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa. Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judicial definitivo.”

 

*Com informações de Manuella Dal Mas, Carolina Figueiredo, Julia Farias, Elijonas Maia e Renan Fiuza

 

 

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