Criança internada no RN teve manchas após uso de detergente, diz tio

A família da criança internada com suspeita de intoxicação em Natal afirma que a menina apresentou os primeiros sintomas um dia após entrar em contato com detergente, o produto investigado.

A CNN Brasil apurou que a família da criança apresentou o frasco de um detergente da Ypê na unidade e mostrou que o produto era de lote com final 1.

À reportagem, o tio da criança contou que a mãe comprou o detergente no dia 4 de maio. No dia seguinte, o produto teria sido utilizado normalmente em casa. Já em 6 de maio, a criança apresentou manchas atrás da orelha e em uma das mãos enquanto estava no colégio, precisando de atendimento médico.

“Como tinha saído uma nota de possível bactéria no sabão Ypê, associamos uma coisa com a outra. Não estamos confirmando nada, estamos esperando sair os exames”, afirmou o familiar.

Ele enviou uma foto do produto da Ypê, de lote final 1, utilizado pela criança. Veja:

Em nota, a Sesap afirmou que a fiscalização dos produtos com suspeita de contaminação na capital do Rio Grande do Norte é da Vigilância Sanitária Municipal e os demais municípios ficam sob a responsabilidade da Suvisa (Sistema de Informação em Vigilância Sanitária).

Segundo o parente, a criança passou por um período de oito dias de tratamento, com uso de adrenalina e medicamentos antialérgicos, antes de ser transferida para uma unidade hospitalar com atendimento mais especializado.

“Durante oito dias foi aquela luta, tomando adrenalina, anti-alérgico. Aparentemente ela está bem, mas a intoxicação está aparecendo a todo o tempo”, relatou.

De acordo com a família, amostras foram coletadas nesta semana para análise laboratorial. O resultado deve ficar pronto em até três dias, segundo os médicos responsáveis pelo caso.

Lote investigado

Os lotes com numeração final 1 das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê tiveram seu recolhimento determinado pela Anvisa na última semana. Também foi suspensa a fabricação, comercialização, distribuição e venda desses produtos.

A determinação foi tomada após inspeção que identificou irregularidades em etapas consideradas críticas da produção, que podem levar à contaminação microbiológica dos produtos. Nesta sexta-feira (15), a diretoria colegiada da Anvisa julga o recurso da Ypê contra a resolução da agência

Segundo a Anvisa, a inspeção, realizada entre os dias 27 e 30 de abril deste ano, em ação conjunta com o CVS-SP (Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo) e a Vigilância Sanitária de Amparo, detectou 76 irregularidades na empresa.

As irregularidades identificadas incluem falhas nos sistemas de controle de qualidade e garantia sanitária. A agência afirmou que os problemas representam descumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação e, por isso, podem levar à contaminação dos produtos.

Na sexta-feira (8), a Ypê apresentou recurso administrativo contra a resolução. Com isso, a decisão da Anvisa passou a ter efeito suspensivo até análise da Diretoria Colegiada da agência.

Mesmo após obter a suspensão temporária da medida, a empresa informou que decidiu manter paralisadas as linhas de produção da fábrica de líquidos responsáveis pelos produtos envolvidos no caso.

Nesta quarta-feira (13), a diretoria colegiada da Anvisa retirou de pauta o julgamento do recurso apresentado pela Ypê sobre a medida da agência. Segundo Leandro Pinheiro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, a avaliação e a deliberação do tema devem ser retomadas pelo colegiado na próxima sexta-feira (15).

“A empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar medidadas para correção dessas ações nesta quinta-feira (14), com vistas ao cumprimento das determinações sanitárias […] Assim, reiteramos [aos consumidores] a não utilização dos produtos listados na resolução e de buscar o serviço de atendimento ao consumidor da empresa“, apontou o diretor-presidente.

A Anvisa orienta consumidores que possuem produtos dos lotes afetados a interromper imediatamente o uso e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para orientações sobre recolhimento ou substituição dos itens.

À CNN Brasil, a empresa afirmou que segue em “colaboração máxima” com a Anvisa e que apresentou atualização do plano de ação relacionado ao processo fabril.

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