Alerta de spoiler: o texto a seguir contém spoilers da 3ª temporada da série “A Casa do Dragão”.
Ao longo da terceira temporada de “A Casa do Dragão”, assistimos Rhaenyra Targaryen tentando descobrir como manter o poder em suas mãos após ter finalmente conseguido se sentar no Trono de Ferro. O último episódio da temporada parece consolidar o caminho para se tornar uma governante que não tem mais receio em derrubar sangue ou cuspir fogo.
Após tantos episódios em que a rainha tentou evitar uma guerra a todo custo, a notícia de que Aegon está de volta com seu dragão Sunfyre parece ser decisiva para que Rhaenyra abrace o lado sombrio dos Targaryen e mande Daemon e seu exército para exterminar os Hightower que tentam desafiar seu lugar no trono. Ela dá um passo a mais em direção à tirania e decide executar o Alto Septão que se recusa a reconhecê-la como governante legítima dos Sete Reinos.
Algumas mortes depois, o destino da personagem selado neste último episódio parece lembrar os fãs da história vivida por uma de suas descendentes: Daenerys Targaryen. A protagonista de “Game of Thrones” incendiou Porto Real e sua população no final da série para se consolidar no poder, e sua virada de heroína para vilã foi um dos pontos mais marcantes – e criticados – da série que fez sucesso na década passada.
Para o co-criador e showrunner de “A Casa do Dragão”, Ryan Condal, a comparação parece inevitável. Afinal, a história da família Targaryen no universo criado por George R.R. Martin é marcada por monarcas que enlouquecem pouco a pouco sentados no Trono de Ferro.
Em entrevista coletiva da qual a CNN Brasil participou, Condal explicou: “Acho ótimo se as pessoas traçarem paralelos entre [‘A Casa do Dragão’] e a série original [‘Game of Thrones’]. Quer dizer, acho que certamente haverá espelhamentos, ecos e reflexos entre as duas séries, e as pessoas verão coisas que são intencionais ou subliminares, e eu apenas diria que acho que este é um daqueles tipos de temas existenciais que atravessam todo esse universo, que é… a atração do Trono de Ferro.”
Mesmo com as comparações, ele acredita que as personagens passam por trajetórias bem distintas no caminho até a tirania.
“A grande diferença entre Rhaenyra e Daenerys é que Daenerys só chegou ao Trono de Ferro no final, depois de ter destruído a cidade. Rhaenyra passa por essa experiência de ter o trono, tentar mantê-lo e ser, de certa maneira, transformada e alterada por ele, modificada pela experiência. Então, acho que são coisas muito diferentes”, disse Condal.
O criador do spin-off que acompanha a queda da era de ouro da família Targaryen disse que as duas séries abordam o principal tema presente no universo de Westeros: o poder. “Como o poder corrompe, até onde ele corrompe, e como pode transformar pessoas boas em pessoas corrompidas, pode pegar pessoas corrompidas e torná-las verdadeiros vilões.“
O que esperar da 4ª temporada de “A Casa do Dragão”
A HBO, empresa que detém os direitos da produção, já confirmou que a quarta temporada será a última da série, encerrando a história da clássica Dança dos Dragões, guerra civil que colocou diferentes membros da família Targaryen em lados opostos.
Um dos principais pontos da temporada final será acompanhar até onde Rhaenyra está disposta a ir para conquistar e manter o Trono de Ferro. A mudança de uma personagem guiada pelo espírito pacífico do pai para alguém que está à beira do precipício na tirania já começou a se desenrolar nos últimos episódios da terceira temporada.
A situação ganha ainda mais destaque com o retorno de Sunfyre, dragão de Aegon (Tom Glynn-Carney). A reunião entre Aegon e Aemond (Ewan Mitchell) pode fortalecer novamente o lado dos Verdes e criar uma frente mais organizada contra Rhaenyra.
Se a terceira temporada elevou a escala da guerra, a última deve levar o conflito a consequências ainda maiores. A Dança dos Dragões é, afinal, uma guerra na qual os próprios Targaryen utilizam seus dragões uns contra os outros. O destino das criaturas, como já contado em livros da saga e até em “Game of Thrones”, deve ser trágico e sangrento – acompanhamos o início da extinção dos bichos.
*Com informações de Nicoly Bastos, da CNN Brasil