Correios sofrem deterioração financeira, diz especialista

As empresas estatais federais acumularam um déficit de R$ 7,4 bilhões em 2026, segundo dados do Banco Central. O resultado negativo foi impulsionado principalmente pelo rombo registrado em janeiro e reacendeu o debate sobre a situação financeira das empresas públicas.

Em entrevista ao CNN Money, o especialista em contas públicas Murilo Viana explicou que há diferenças entre os números divulgados pelo governo e pelo Banco Central.

Segundo ele, o governo apresenta um resultado consolidado, que inclui a Petrobras e utiliza o lucro como indicador, enquanto o Banco Central mede o resultado fiscal das estatais não dependentes do Tesouro, excluindo a petroleira.

Viana também detalhou a diferença entre estatais dependentes e não dependentes. As primeiras precisam de recursos do orçamento da União para custear despesas, enquanto as segundas, em tese, conseguem financiar suas operações sem aportes do Tesouro.

Para o especialista, a deterioração financeira de algumas empresas aumenta o risco de elas passarem a depender de recursos públicos, ampliando a pressão sobre as contas do governo.

Entre os casos mais preocupantes, Viana destacou os Correios. Segundo ele, a estatal enfrenta um processo de deterioração financeira, marcado pela queda das receitas, despesas elevadas e perda de competitividade diante de empresas privadas, especialmente no segmento de entregas.

O especialista também citou a redução da demanda por correspondências tradicionais, a defasagem tecnológica e os baixos investimentos como fatores que agravam a situação.

Viana lembrou que, no fim do ano passado, os Correios recorreram a uma operação de crédito superior a R$ 10 bilhões, com garantia da União, para equilibrar as contas e financiar medidas como um programa de demissão voluntária. Na avaliação dele, a operação apenas adiou um problema estrutural.

Sobre uma eventual privatização, o especialista afirmou que a medida é politicamente improvável no curto prazo, mas defendeu que o futuro da empresa seja debatido. Segundo Viana, além da venda integral, alternativas como a reestruturação da estatal e parcerias com a iniciativa privada também podem fazer parte da discussão, seguindo exemplos adotados por empresas postais de outros países.

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