O Corinthians registrou um déficit de R$ 168 milhões nos quatro primeiros meses de 2026, conforme demonstrações contábeis divulgadas pelo clube. O valor é significativamente pior do que os R$ 72,9 milhões previstos no orçamento para o período. A diretoria aponta a ausência de negociações de jogadores, o pagamento de bônus pela Copa do Brasil e despesas com o zagueiro Félix Torres como fatores que impulsionaram o saldo negativo.
Mesmo com o aumento das receitas, os gastos excederam o planejado, levando a um resultado financeiro mais desafiador. A expectativa de vendas de atletas não se concretizou no primeiro quadrimestre, agravando a situação. O cenário exige uma revisão orçamentária para o restante do exercício.
As receitas operacionais brutas, contudo, superaram as projeções, somando R$ 273,1 milhões entre janeiro e abril, contra R$ 243,1 milhões orçados. Patrocínios (R$ 91,2 milhões) e direitos de transmissão (R$ 81,7 milhões) foram os principais impulsionadores. Ativações de marca (R$ 46,2 milhões), arrecadação de jogos (R$ 37,1 milhões) e contribuições de associados (R$ 15,8 milhões) também contribuíram.
Apesar do bom desempenho na arrecadação, as despesas do Corinthians cresceram acima do previsto. Gastos com pessoal, que incluem salários, encargos e premiações, alcançaram R$ 198 milhões, superando em R$ 26 milhões a previsão orçamentária. As despesas gerais e administrativas também ficaram acima, chegando a R$ 43,3 milhões contra R$ 37,7 milhões esperados.
Um dos maiores impactos veio da não concretização de vendas de atletas. O orçamento previa R$ 75 milhões líquidos com negociações, mas o resultado foi negativo em R$ 2,4 milhões. Este valor decorre de R$ 4,4 milhões em receitas com cessões e empréstimos e R$ 6,8 milhões em gastos relacionados às transações.
O clube apontou dois fatores extraordinários para o resultado adverso. O pagamento de R$ 32,5 milhões em premiações ao elenco pela Copa do Brasil de 2025, contabilizado em janeiro, foi um deles. Além disso, houve o desembolso de R$ 6 milhões em tributos para quitar a obrigação junto ao Santos Laguna pela contratação do zagueiro Félix Torres.
A decisão de não negociar atletas na primeira janela foi estratégica. A diretoria optou por preservar o elenco para a disputa da Copa Libertadores, buscando valorização dos ativos. O clube espera arrecadar cerca de 25 milhões de euros (R$ 148,5 milhões) líquidos em transferências na janela do meio da temporada.
Desconsiderando os efeitos da premiação da Copa do Brasil, dos impostos da operação Félix Torres e da não realização das vendas previstas, o déficit acumulado seria de R$ 54,4 milhões. Esse resultado seria melhor do que os R$ 72,9 milhões projetados inicialmente para o período.
A administração informou que realizará uma revisão orçamentária na metade do exercício, conforme estatuto. O objetivo é atualizar as projeções para os próximos seis meses. O Corinthians fechou o ano de 2025 com uma dívida total de R$ 2,5 bilhões, incluindo o financiamento da Neo Química Arena.
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