A Semana de Alta-Costura de Paris consolidou uma virada importante no universo de beleza. Após um período dominado pelo minimalismo absoluto com base na estética clean, as passarelas abriram caminho para um toque mais ousado e criativo, garantindo sofisticação, naturalidade e muita expressão individual.
No topo das tendências, destacam-se coques esculturais, volumes arquitetônicos, olhos conceituais, toques metalizados em dourado e o retorno do batom vermelho.
Linha de frente na temporada, o beauty artist Marcello Costa, responsável pela beleza de desfiles conceituados, ressalta que o cabelo e a maquiagem ganharam um novo status nas coleções, atuando de forma ativa na narrativa visual das grandes grifes.
O equilíbrio perfeito entre forma e movimento
Nos fios, a construção de formas imponentes ditou o ritmo do momento. Coques esculturais e estruturas arquitetônicas de forte apelo visual elevam os penteados ao status de elementos de composição do próprio look.
Em contrapartida, há uma forte valorização das texturas naturais: fios com movimento leve e acabamentos menos rígidos criam um contraste moderno que deve ditar o tom das próximas estações.

Luz e frescor refinado
Na maquiagem, a pele mantém seu papel central, surgindo luminosa, fresca e refinada, de modo a evidenciar o viço natural. Já o olhar se divide em duas vertentes claras: o minimalismo puro, com correções quase imperceptíveis, e o maximalismo artístico, marcado por cílios conceituais, aplicações tridimensionais e traços gráficos que transformam os olhos em uma extensão da própria moda.
Os acabamentos metalizados, com ênfase no dourado, trazem um ponto de luz luxuoso às produções, enquanto o lábio vermelho resgata o glamour clássico sob uma ótica estritamente contemporânea.
“Depois de algumas temporadas em que a maquiagem extremamente limpa dominou as passarelas, vejo um retorno da criatividade de uma forma mais sofisticada e inteligente. O cabelo deixa de ser apenas um complemento e passa a fazer parte da narrativa da coleção. Ao mesmo tempo, existe um equilíbrio entre estruturas marcantes e a valorização da textura natural dos fios”, analisa Marcello.

Para o especialista, o maior legado dessa temporada transcende as técnicas de maquiagem e cabelo: trata-se de um manifesto de atitude.
“Não estamos falando apenas de tendências de beleza. Estamos falando de identidade. A mulher da Alta-Costura volta a ser uma personagem elegante, forte, sofisticada e sem medo de ocupar espaço. É uma temporada menos sobre perfeição e mais sobre presença”, conclui Costa.