Cooxupé e JDE Peet’s miram sucessão no café com 700 jovens produtores

As maiores do café, a Cooxupé e a JDE Peet’s, anunciaram nesta quarta-feira (23) um projeto de sucessão familiar para preparar jovens a assumir a gestão das propriedades cafeeiras e dar continuidade aos negócios familiares, um problema que o setor enfrenta de fixar mão de obra no campo. Batizada de “Gerações do Café: Semeando um Futuro Sustentável”, a ação prevê capacitar 700 cafeicultores ao longo de cinco anos. A primeira etapa será com 10% deste contingente, segundo comunicado oficial das parceiras.

O programa é voltado a produtores de 18 a 35 anos e terá conteúdos sobre gestão da propriedade, planejamento financeiro, agricultura regenerativa, cooperativismo, liderança e inovação.

A aposta ocorre em meio a um desafio que ganha peso no campo: a sucessão familiar. Dados da Pnad Contínua, do IBGE, mostram uma mudança no perfil etário dos trabalhadores da agropecuária brasileira, com redução da participação dos mais jovens e aumento da presença de pessoas com 55 anos ou mais.

Na cafeicultura, a questão vai além da transferência da propriedade entre gerações. A continuidade do negócio exige que os sucessores estejam preparados para decisões que envolvem custos, investimentos, tecnologia, produtividade e relacionamento com o mercado.

O tema é especialmente relevante para a Cooxupé, maior cooperativa de café da América Latina. Segundo a entidade, 97,6% dos cooperados são mini e pequenos cafeicultores, segmento no qual a participação da família na condução das propriedades é predominante.

“A sucessão permite que o conhecimento e o trabalho construídos pelas famílias tenham sequência nas propriedades. Queremos que os filhos e os netos dos produtores encontrem oportunidades no campo, valorizem a experiência de seus pais e avós e tenham condições de construir a própria trajetória na produção de café”, afirma Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé, em nota.

Rentabilidade para manter jovens no agro

Além das capacitações, são previstas participações em feiras agrícolas, fóruns de inovação e encontros do setor. Uma das frentes será ampliar a adoção de práticas de agricultura regenerativa nas propriedades, ao mesmo tempo em que os participantes recebem formação para administrar o negócio.

Para a JDE Peet’s, que é a maior empresa de café e chá do mundo e entra com recursos que financiam o programa, a permanência das novas gerações na atividade também passa pela capacidade de tornar a produção economicamente atrativa.

O valor da iniciativa ainda não foi divulgado.

“Se a atividade for rentável e oferecer perspectivas de futuro, criamos condições para o jovem agricultor permanecer no campo e dar continuidade à produção de café”, afirma Bruno Ribeiro, gerente de sustentabilidade da companhia. O projeto integra o Common Grounds, programa global de sustentabilidade da JDE Peet’s.

A primeira etapa do programa reuniu 70 cooperados nos dias 22 e 23 de setembro, em Guaxupé (MG). O grupo inicia agora uma jornada de um ano, com novos encontros e capacitações sobre gestão, sustentabilidade e condução das propriedades.

Entre os participantes está André Oliveira Oms, de Tapiratiba (SP), que representa o processo de transição que o programa pretende estimular. A propriedade da família é atualmente conduzida pelos pais, enquanto ele já participa do controle de informações, da compra de insumos e da manutenção de máquinas e equipamentos.

“Aprendi bastante sobre a parte financeira, gestão e também sobre o cultivo do café. Sempre procuro ajudar meus pais, trocar ideias com eles e aprender com a experiência que têm”, ressalta por comunicado. Novas turmas serão formadas ao longo dos próximos cinco anos até que o programa alcance a meta de 700 jovens cafeicultores.

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