Consumo de energia por data centers ainda é baixo no Brasil, diz Scala

A crescente demanda de eletricidade das gigantes de tecnologia para processar bilhões de dados em microssegundos tem sido apontada pelo setor elétrico como uma das possíveis soluções para absorver o excedente de energia disponível no Brasil. Apesar do avanço acelerado dos data centers, principalmente impulsionado pela inteligência artificial, o diretor de energia da Scala Data Centers, Fábio Yanaguita, avalia que o consumo desse segmento ainda é baixo no Brasil.

Em entrevista ao programa Alta Voltagem, do CNN Infra, Yanaguita afirmou que a capacidade instalada estimada de data centers no Brasil gira atualmente entre 800 megawatts (MW) e 1 gigawatt (GW), embora o consumo efetivo seja menor.

“A capacidade instalada de data centers no Brasil não é um dado público, mas estimamos algo em torno de 800 MW a 1 GW. Isso não consome 100% da capacidade. Vamos chutar que consome cerca de 600 MW. Isso é menos de 1% da carga do país”, afirmou.

Segundo ele, mesmo em um cenário de forte expansão do setor, o impacto ainda seria relativamente pequeno diante do tamanho do sistema elétrico nacional. Nos cálculos do executivo, caso o mercado quadruplicasse de tamanho, o consumo chegaria, no máximo, a 2% da carga do país, o que poderia representar cerca de 1% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Isso abre margem para crescimento do setor, que busca energia renovável, confiabilidade e disponibilidade de rede de transmissão. Apesar de o Brasil atender boa parte destes requisitos, Yanaguita acrescenta que o Brasil é um país que ainda precisa se provar para atrair essas infraestruturas.

A avaliação ocorre em um momento em que o Brasil busca alternativas para ampliar o consumo de energia elétrica e reduzir o desperdício estrutural decorrente da sobreoferta de geração, especialmente após os fortes investimentos em fontes renováveis, como solar e eólica.

O avanço dos data centers no interior de São Paulo já começa, inclusive, a alterar o perfil de consumo de energia elétrica da CPFL Energia. Em entrevista recente à CNN, o CEO da empresa, Gustavo Estrella disse que a demanda desse segmento cresceu 24% entre 2025 e 2026, impulsionada principalmente pela instalação de estruturas voltadas à inteligência artificial e serviços de computação em nuvem na região da Grande Campinas.

O crescimento acompanha a explosão global da demanda digital. Aplicações como criptomoedas, jogos em nuvem, realidade virtual, blockchain e treinamento de modelos de inteligência artificial exigem cada vez mais capacidade computacional e, consequentemente, grandes volumes de energia elétrica.

Yanaguita destacou ainda que o Brasil possui uma sociedade altamente conectada e digitalizada, o que reforça o potencial de expansão da infraestrutura tecnológica no país.

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