O Conselho de Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta quarta-feira (23) um plano de US$ 2,45 bilhões (equivalente a cerca de R$ 12,5 bilhões) para iniciar a reconstrução da Faixa de Gaza.
No entanto, autoridades reconheceram que a iniciativa enfrenta um futuro incerto, uma vez que Israel e o Hamas continuam em desacordo sobre os termos de um cessar-fogo apoiado pelos EUA.
A proposta, detalhada por representantes do conselho durante um evento na Assembleia Geral da ONU em Nova York, compreende 66 programas destinados a recuperar a infraestrutura e a economia de Gaza, devastadas por dois anos de ofensiva militar israelense.
Este é o plano mais recente voltado para promover o cessar-fogo na região, que foi anunciado há quase um ano, mas que não conseguiu interromper os ataques israelenses, incluindo um ocorrido nesta quarta-feira, que matou quatro pessoas, entre elas um integrante do Hamas.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou a jornalistas em Nova York: “Obviamente, trata-se de um projeto de longo prazo. Não é algo que possa ser realizado em seis meses. Mas, pelo menos, oferece esperança às pessoas. Mostra o futuro que as aguarda, caso todos façam a sua parte”.
Jared Kushner, genro de Trump e idealizador do plano para Gaza, reconheceu que a proposta enfrentou “atrasos variados em diferentes aspectos, por motivos diversos”, ao mesmo tempo em que defende o direito de Israel de “concluir a missão” no território caso o Hamas não se desarme.
“Estamos apenas refinando, afiando o machado, preparando-nos para o momento de derrubar a árvore. E esperamos que isso aconteça muito, muito em breve”, disse Kushner.
Israel e Hamas discordam sobre retirada de tropas e desarmamento
Quase um ano após um cessar-fogo ter encerrado os principais combates em Gaza, a reconstrução ainda não começou, pois os negociadores não conseguiram chegar a um acordo sobre as condições para que o Hamas entregue as armas e Israel retire suas tropas.
A maioria das edificações foi destruída, e mais de 2 milhões de habitantes estão confinados a cerca de um terço do território, vivendo majoritariamente em tendas ou em cômodos superlotados de prédios danificados, em meio às ruínas.
Reconstrução pode custar US$ 71,4 bilhões
O plano do Conselho de Paz anunciado nesta quarta-feira estima os danos materiais em Gaza em US$ 35,2 bilhões e aponta que a recuperação e a reconstrução completas exigirão cerca de US$ 71,4 bilhões ao longo da próxima década.
O plano prevê o reparo de passagens de fronteira, a restauração da infraestrutura de eletricidade e água, a instalação de 25 mil kits portáteis de energia solar e o preenchimento permanente de túneis sob locais necessários para projetos prioritários de reconstrução.
Nickolay Mladenov, o principal enviado do conselho para Gaza, afirmou que ele e outras autoridades não querem que a região volte a ser como era antes da guerra.
“Queremos dar às pessoas uma nova chance e garantir que tanto os palestinos em Gaza quanto as comunidades israelenses que vivem do outro lado da fronteira tenham a oportunidade de deixar para trás o medo da violência que marcou suas vidas por tantos anos”, disse Mladenov.