Como ‘Jogos Vorazes’ e ‘Vingadores’: por que tantos filmes antigos estão em cartaz novamente? Veja 3 explicações para a aposta em relançamentos

Graças à indústria cinematográfica, não é mais necessário embarcar no DeLorean de Marty McFly para viajar no tempo. Basta abrir a listagem de filmes em cartaz em qualquer mês pós-pandemia para ser transportado aos anos 90 e 2000.

Os maiores sucessos de bilheteria do passado estão novamente em exibição: em setembro de 2026, é possível conferir nos cinemas brasileiros ‘Vingadores: Ultimato’ (2019) e toda a saga ‘Jogos Vorazes’ (2012). Em agosto, foi a vez da série ‘Crepúsculo’ (2008), ‘Harry Potter’ (2001) e ‘La La Land’ (2016) voltarem às telonas.

A própria trilogia ‘De Volta para o Futuro’, da década de 80, foi reexibida em 2025. Mas o que explica a viagem no tempo que dominou a estratégia de distribuição de filmes nos últimos anos? Confira 5 motivos que ajudam a entender a tendência.

Motivo #1: Estratégia de ‘tapa-buracos’

Embora relançamentos pontuais sejam tradição no cinema, eles costumavam ser reservados a grandes aniversários da obra, décadas depois do lançamento original. No entanto, a reabertura das salas depois do relaxamento dos protocolos da Covid-19 entre 2022 e 2023 criou um cenário inédito.

Estúdios, distribuidoras e exibidores precisavam de obras que encheriam salas e ajudariam a recuperar a indústria depois do baque econômico da pandemia. Os principais filmes inéditos não estavam entregando os números desejados; em 2022, por exemplo, apenas três novos roteiros arrecadaram mais de US$ 1 bilhão.

Para preencher as semanas mais fracas em lançamentos, o cinema começou a apostar em clássicos como ‘Transformers’ (2007), ‘O Quinto Elemento’ (1997) e ‘Titanic’ (1997).

No ano passado, subiu para 20 o número de filmes em cartaz com mais uma década. O pretexto de aniversários importantes foi abandonado: obras de 2001, 2009, 2004; todas dividiam espaço nos mesmos cinemas.

Motivo #2: Nostalgia move multidões

Relançamentos no cinema permitem que fãs revivam memórias afetivas relacionadas aos longas-metragens, além de recordar bons momentos que passaram na época em que as obras estrearam.

Este mergulho no passado permite fugir dos problemas presentes, encontrando conforto nas lembranças de tempos “melhores e mais simples”.

A aposta de Hollywood na nostalgia começou direcionada aos “millennials”, nascidos nos anos 80 e 90.

Com o esgotamento dos principais sucessos do último século, a tática passou a focar os mais velhos da geração Z, cuja infância e pré-adolescência ficaram marcadas pelos fenômenos culturais dos romances de vampiros, sagas distópicas e esquadrões de super-heróis.

Motivo #3: Aversão ao risco

O fantasma da crise pandêmica no cinema está longe de ser superado. O número total de visitantes igualou níveis pré-pandêmicos somente no mês de agosto, impulsionado pela performance de ‘Toy Story 5’, ‘A Odisseia’ e ‘Homem-Aranha’.

A situação pode explicar a estratégia mais conservadora e cautelosa dos gigantes da indústria, que passaram a apostar nos relançamentos, remakes e reboots em detrimento de novas propriedades intelectuais.

Obras, personagens e sagas já consagradas com base de fãs pré-estabelecida prometem um retorno mais seguro sobre o dinheiro investido. E, mesmo que não cheguem perto dos números da estreia original, o custo de um filme antigo relançado é muito inferior ao de um lançamento inédito.

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