Como a família Gil nos ensina a lidar com o luto após a morte de Preta

Lidar com a perda de quem se ama é um dos desafios mais dolorosos da experiência humana. Com a morte de Preta Gil, em julho de 2025, aos 50 anos, em decorrência das complicações de um câncer colorretal, os membros da família Gil passaram a compartilhar uma perspectiva profunda sobre o sentido da existência.

Ao invés de sucumbirem ao isolamento da dor, eles escolheram vivenciar o luto como um verdadeiro processo coletivo em que a saudade — pode e deve — se transformar em celebração e legado vivo.

“A sofrimento faz parte da vida”, disse Gilberto Gil

Em recente participação no programa “Saia Justa”, do canal GNT, o cantor definiu o sofrimento como parte de um amadurecimento e transmutação espiritual.

“O sofrimento faz parte da vida. Existem várias religiões e sistemas filosóficos que tentam dar conta desse sentido da dor. O sofrimento é o grande desafio para o sentido transformador que o indivíduo tem que adotar. É transmutação permanente: o sofrimento é como se fosse o combustível que vai movendo o carro, e o prazer é a paisagem na janela. A dor ensina”, disse ele.

A atração também recebeu a presença da sobrinha de Preta, Flor Gil, 17, filha de Bela Gil, 38. Para ela, a forma de lidar com a perda mudou com o passar do tempo.

“Eu acredito em muita coisa, mas acho que, quando eu realmente tive essa conexão de conseguir ver além, foi quando a minha tia faleceu. Eu comecei a construir uma relação com ela pós-morte. A minha tia ensinou muito a ressignificar os sentimentos e as dores”, contou ela.

“Ela foi uma pessoa crucial para mim, e continua sendo. Está sendo ainda mais agora do que antes, até para conectar com o mistério, com o divino”, acrescentou.

“É impressionante como ela ainda age sobre nós”, comentou Bela Gil

Quem também costuma salientar a força familiar é a chef de cozinha Bela Gil. “Sinto muita saudade dela, principalmente daquela risada, daquela gargalhada que preenchia todos os espaços físicos, mas também me preenchia muito”, comentou em outro episódio do programa que integra o time de apresentadoras.

“Tenho saudade da sensação que eu tinha estando do lado dela, todas as vezes em que ia à casa dela ou nos encontrávamos”, adicionou.

Ainda no papo, Bela disse que Preta era dona de uma alegria e astral únicos. “A alegria dela era esse colo para mim, e nós dividíamos uma irmandade muito maravilhosa. Às vezes ficávamos madrugadas conversando sobre a nossa família, nosso pai, um monte de coisa que só nós tínhamos. Era muito gostoso”, recordou.

Um ano após a morte da cantora, Francisco Gil, 31, fruto do antigo relacionamento de Preta e Otávio Müller, 61, também se declarou sobre o período sem a presença física da artista.

“Um ano e ando exercitando muito mais a sua presença do que qualquer outra coisa. A gente encheu a casa com as suas coisas, com fotos suas, quadros seus, seus santos e santas, e eu, que não queria ter cachorro, agora tenho a Lua e a Estrela. Eu e Sol falamos de você o tempo todo. A gente dá risada, a gente chora e, o tempo inteiro, a gente está lembrando de você. Eu falo de você o tempo todo. No meio disso tudo… é a sua presença que cura”, começou dizendo.

“Na hora da dor, as boas lembranças e, na hora da saudade, o teu sorriso. Eu, volta e meia, escuto a sua risada, sinto teu perfume… tento te perceber. Sonho quase todas as noites com você e, nos meus sonhos, você sempre está viva. Eu sinto você. Sinto que agora você finalmente sabe de tudo de mim e que você está me vendo o tempo todo. É uma baita responsabilidade. Eu sinto teu olhar, suas broncas, sinto sua tristeza, sua alegria… e sinto teu orgulho. Eu não me permiti cair por você”, continuou.

Ao final, Fran disse que tem aprendido que, quando está precisando de alguma resposta ou se vê perdido, lembra do último olhar de Preta para ele. “Estava tudo ali. É curioso como eu encontro nele todas as respostas… tenho encontrado. Era uma Preta diferente. E eu levo todas comigo! A mãe, a amiga, a menina, a irmã, a voz, a sabedoria e a presença, a absoluta presença de Deus em mim”, concluiu.

Por fim, a empresária Flora Gil, 66, esposa de Gilberto Gil, 84, e madrasta de Preta, também costuma recordar o entusiasmo, amor e outros sentimentos positivos deixados pela cantora.

“A generosidade sempre presente. Um ano sem Preta com ela no coração para sempre”, disse em uma publicação em que a artista apareceu ao lado do sobrinho, Bento.


 

 

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