China e Rússia oferecem alternativas aos EUA regionalmente, diz Pfeifer

O encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin, realizado na segunda-feira (31), vai além de acordos comerciais bilaterais. Para Alberto Pfeifer, coordenador de Estratégia e Geopolítica do DSI-USP, ao WW, China e Rússia buscam, de forma deliberada, oferecer alternativas à influência dos Estados Unidos em suas respectivas regiões, por meio de incentivos comerciais, parcerias de desenvolvimento e apoios logísticos a parceiros estratégicos.

Estratégia chinesa de expansão logística e financeira

Pfeifer destacou que a China tem trabalhado para garantir o suprimento de recursos e diversificar suas rotas logísticas, inclusive por meio da Rússia e de outras conexões que vem estabelecendo.

“A China buscando alternativas logísticas e também estabelecendo uma conexão financeira com o possível banco de desenvolvimento da Organização da Cooperação de Xangai”, afirmou o analista.

Ele também ressaltou a busca por trocas entre países utilizando moedas locais, o que representa um movimento de redução da dependência do dólar americano.

Segundo Pfeifer, esse cenário consolida o papel da China em um vasto espaço continental, ao mesmo tempo em que apresenta opções à dominância americana. O analista apontou que os gargalos logísticos globais evidenciam fragilidades que tornam essa estratégia chinesa especialmente oportuna no atual contexto internacional.

Relação EUA-China: interdependência e disputa pela hegemonia

Apesar do aprofundamento das relações regionais de cada potência, Pfeifer ressaltou que China e Estados Unidos continuam sendo economias profundamente interligadas.

“Manter o acesso ao mercado americano é essencial para a indústria chinesa”, afirmou.

Por outro lado, os Estados Unidos também dependem de produtos chineses, especialmente minerais críticos e insumos para processos produtivos específicos.

O analista avaliou que, embora os dois países disputem a hegemonia global e a liderança tecnológica — especialmente no campo da inteligência artificial —, ambos precisam de componentes que apenas o outro pode fornecer.

Diante disso, Pfeifer acredita que o encontro previsto entre Xi Jinping e Donald Trump, em cerca de um mês, deverá resultar em uma recomposição das relações, e não em um acirramento.

O prazo de 90 dias de trégua nas tarifas entre os dois países está se encerrando, o que torna o encontro ainda mais relevante.

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