O cenário sanitário e fitossanitário do Brasil é atualmente “estável”, mas exige vigilância permanente diante da possibilidade de surgimento de novas doenças e pragas, segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Carlos Goulart.
“No aspecto sanitário e fitossanitário, o status hoje é mais ou menos estável das ameaças que você tem. Algumas regionais, que estão nos países vizinhos, e algumas que podem ser com ingresso de material oriundo do exterior. […] Essa é uma das questões na qual o sistema de defesa precisa estar alerta. O imponderável pode acontecer”, afirmou em entrevista exclusiva ao CNN Agro News, nesta terça-feira (8).
Apesar de Goulart não arriscar prever próximos desafios fitossanitários para o Brasil, os últimos anos impuseram uma necessidade de preparo da defesa agropecuária para responder às ameaças mais conhecidas e os problemas inesperados.
Atualmente, acrescentou o secretário, quatro emergências estão vigentes: monilíase do cacaueiro, mosca-da-carambola, influenza aviária e vassoura-de-bruxa da mandioca. As doenças são constantemente monitoradas, mesmo as que têm poucas pesquisas concluídas.
Para lidar com esse cenário, o governo mantém mecanismos de vigilância ativa e passiva para identificar rapidamente eventuais problemas.
“O que nós temos trabalhado no sistema de defesa, conta com órgão federal e órgão estadual, é a capacidade de monitorar e ter um radar, um monitoramento permanente de vigilância ativa e passiva para detectar eventuais questões”, disse.
Entre as ameaças acompanhadas pelo Brasil está a PSA (peste suína africana). O país permanece livre da doença, mas Goulart afirmou que ela exige atenção especial no monitoramento internacional.
A influenza aviária também é apontada como uma preocupação importante para a cadeia de aves. O secretário destacou a dimensão da produção brasileira e a necessidade de preservar o status sanitário do setor.
“O Brasil é referência global nesse assunto. É o segundo maior produtor de aves do mundo. O maior exportador global e é o único país do mundo que teve um único caso e a gente interrompeu a transmissão”, frisou.
O governo também trabalha para ampliar o reconhecimento da regionalização sanitária pelos parceiros comerciais. A estratégia busca evitar que uma ocorrência localizada resulte em restrições para as exportações de todo o país.
“A gente continua trabalhando com os países para ter o reconhecimento da regionalização, que é um processo muito importante para o Brasil.”
Segundo Goulart, a preparação precisa considerar ainda diferentes formas de entrada de ameaças no território nacional, inclusive por meio de materiais vindos do exterior.
“O que a gente pode lhe garantir, e garantir a quem nos escuta, é que o Brasil está preparado para lidar com qualquer ameaça que se apresente para nós”, pontuou.