Caso Ypê: Anvisa foi correta e responsável, diz Padilha sobre suspensão

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (15), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) agiu “corretamente e com responsabilidade” ao manter as medidas impostas aos produtos da Ypê, com exceção da determinação de recolhimento.

A decisão foi tomada em reunião realizada na manhã desta sexta-feira (15).

“A Anvisa tomou uma decisão correta que foi, a partir da detecção dessas bactérias, […] determinou a suspensão da circulação desses produtos. A Anvisa está sendo extremamente responsável na decisão que ela tomou hoje”, destacou Padilha.

Os votos da Diretoria Colegiada ocorreram após a avaliação de um recurso apresentado pela marca, que teve alguns produtos suspensos na última semana.

Veja cada um dos votos:

  • Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa: votou a favor da manutenção de parte das medidas determinadas pela agência, com exceção do recolhimento, que não precisa mais ser feito;
  • Thiago Campos, diretor da Anvisa: votou a favor da manutenção das medidas da agência, inclusive pelo recolhimento;
  • Daniela Marreco, diretora da Anvisa: votou a favor da manutenção de parte das medidas da agência (suspensão da fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos), com exceção do recolhimento, que não precisa mais ser feito;
  • Daniel Pereira, diretor da Anvisa: votou a favor da manutenção de parte das medidas da agência (suspensão da fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos), com exceção do recolhimento, que não precisa mais ser feito;
  • O quinto votante não compareceu ao julgamento. 

Após os votos de todos os presentes, a reunião foi finalizada.

Em nota mais recente divulgada pela Ypê, a empresa afirmou que “seguirá atendendo em seus canais oficiais todos aqueles que ainda preferirem efetuar a troca ou obter o ressarcimento pelos produtos adquiridos”. Leia na íntegra:

“A determinação da Anvisa de 15 de maio estabeleceu que os produtos lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lote final 1, elencados na Resolução 1.834/2026, não precisariam mais ser recolhidos neste momento. A orientação é que eles permaneçam guardados até a emissão de novos laudos de laboratórios independentes.

Porém, em alinhamento com a Anvisa e devido ao foco na satisfação dos nossos consumidores, a Ypê seguirá atendendo em seus canais oficiais todos aqueles que ainda preferirem efetuar a troca ou obter o ressarcimento pelos produtos adquiridos.

A empresa reitera que, de acordo com os controles e análises internas realizados pela Ypê, os produtos são seguros para o consumidor. Ainda assim, a companhia propôs para a Anvisa apresentar testes realizados por laboratórios independentes autorizados pela agência, de todos os lotes já colocados no mercado, para garantir a segurança dos mesmos e sua consequente liberação para uso o mais rápido possível.

A Ype segue executando em ritmo acelerado o investimento de R$ 130 milhões com o foco em se adequar aos requisitos acordados em colaboração com a Anvisa. A empresa reitera seu compromisso inegociável com a transparência e a saúde de seus consumidores.”

Entenda o caso

Anvisa suspendeu na última quinta-feira (7) a fabricação, comercialização, distribuição e venda de produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê. A medida também determinou o recolhimento dos produtos afetados.

A medida atinge exclusivamente os itens produzidos na unidade de Amparo, no interior de São Paulo, cujos lotes possuem numeração final 1.

A decisão foi tomada após uma inspeção sanitária conjunta realizada entre 27 e 30 de abril, com participação da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária Municipal de Amparo.

Leia também: “Guarde produto em local seguro”, aconselha Padilha sobre caso Ypê

Durante a fiscalização, foram identificadas 76 irregularidades e mais de 100 lotes comprometidos. Segundo a agência, houve descumprimento das Boas Práticas de Fabricação e risco elevado de contaminação microbiológica.

Essa inspeção também levou em consideração denúncias apresentadas pela Unilever, concorrente da Ypê, em outubro de 2025 e março de 2026, além do histórico da própria fábrica, que já havia registrado, em novembro do ano passado, o recolhimento de produtos por contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa.

A bactéria é comumente encontrada em ambientes úmidos e pode causar desde infecções leves até quadros mais graves, principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Na terça-feira (12), a Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu manter a suspensão da fabricação, comercialização e uso dos lotes após analisar recurso apresentado pela Ypê. No entanto, a agência suspendeu temporariamente a exigência de recall imediato dos produtos que já chegaram ao mercado e aos consumidores.

A Anvisa condicionou o recolhimento à apresentação e validação prévia de um plano de mitigação de riscos por parte da empresa, que deverá detalhar estratégias de logística, rastreabilidade e comunicação com o público.

Apesar da suspensão provisória do recolhimento oficial, a orientação das autoridades sanitárias é para que os consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos listados.

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