Caso Marielle: Moraes vota para rejeitar recursos dos irmãos Brazão

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou nesta sexta-feira (12) para rejeitar os recursos apresentados pelos irmãos Domingos Brazão e João Francisco Inácio Brazão, condenados pela Primeira Turma da Corte como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Os recursos, tecnicamente chamados de embargos de declaração, apontavam supostas contradições, omissões e cerceamento de defesa na decisão do Supremo.

No caso de Chiquinho Brazão, a defesa questionou a dosimetria da pena aplicada pelo crime de organização criminosa. Os advogados sustentaram que haveria um erro no cálculo, argumentando que o aumento de um terço mencionado no acórdão resultaria em pena inferior à fixada pela Corte.

Também contestaram a indenização mínima de R$ 7 milhões estabelecida para reparação dos danos causados às famílias das vítimas, alegando ausência de fundamentação adequada e de provas específicas para quantificar os prejuízos morais e materiais.

Ao votar pela rejeição do recurso, Moraes afirmou que não houve erro na dosimetria, destacando que a fixação da pena não decorre de mero cálculo aritmético, mas do convencimento fundamentado dos julgadores.

O ministro também afastou a alegação de omissão quanto à indenização, ressaltando que o acórdão detalhou a gravidade dos fatos e a dimensão dos danos causados aos familiares de Marielle e Anderson. Segundo ele, os embargos demonstram apenas inconformismo da defesa com a condenação e possuem caráter protelatório.

Já Domingos Brazão apresentou uma série de questionamentos sobre a condução das investigações e sobre o julgamento. A defesa alegou cerceamento de defesa em razão de suposto acesso tardio a elementos de prova e criticou a negativa de pedidos como o depoimento de promotoras de Justiça que acompanharam as investigações iniciais. Também sustentou que não teve acesso aos registros das entrevistas realizadas entre a Polícia Federal e o colaborador Ronnie Lessa no sistema penitenciário.

Os advogados ainda argumentaram que não existia antagonismo político entre Domingos Brazão e Marielle Franco. Segundo a defesa, projetos de lei apontados como motivação para o crime eram de iniciativa do Poder Executivo e não afetariam interesses ligados à grilagem de terras.

Moraes rejeitou todos os argumentos. Em voto, afirmou que a defesa teve acesso integral aos autos do processo e que as diligências requeridas já haviam sido analisadas e negadas anteriormente pelo colegiado.

O ministro também destacou que a condenação por organização criminosa foi amparada por um robusto conjunto de provas, incluindo elementos relacionados à atuação de grupos ligados à grilagem de terras e à influência política exercida na região de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

A Primeira Turma condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes dos crimes, a 76 anos e três meses de prisão cada. Também foram condenados o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, o major Ronald Paulo de Alves Pereira e o ex-policial militar Robson Calixto Fonseca.

Os policiais também entraram com recursos, que igualmente receberam votos de rejeição do ministro Alexandre de Moraes.

Além das penas privativas de liberdade, o colegiado determinou o pagamento de R$ 7 milhões em indenização às vítimas e seus familiares, a perda dos cargos públicos e a manutenção das prisões preventivas de todos os condenados.

Caso Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco foi assassinada a tiros em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro, junto com seu motorista Anderson Gomes. 

Em 25 de fevereiro, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, os mandantes de sua morte, após quase 8 anos do crime.

Domingos, que era conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), e Chiquinho, que é ex-deputado federal e, à época dos fatos, era vereador do Rio de Janeiro, teriam atuado em conjunto para ordenar o assassinato de Marielle, motivado por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas dominadas por milícias.

Segundo a condenação, os irmãos Brazão integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio, ligada a milícias, grilagem de terras e formação de currais eleitorais.

A vereadora, então colega de Chiquinho na Alerj (Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro), teria tido embates políticos sobre projetos de regularização urbana e uso do solo na cidade.

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