O julgamento da morte de Henry Borel continuará neste domingo (31), no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, com previsão de depoimento da babá Thayná Ferreira. Este é o sétimo dia de julgamento.
Segundo informou à CNN Brasil a advogada Juliana Nascimento, que representa a testemunha no júri, Thayná deve ser a primeira pessoa ouvida na retomada da sessão neste domingo.
O sábado foi marcado pelo depoimento de Bryan Medeiros da Costa e Silva, irmão de Monique Medeiros. Durante a oitiva, ele afirmou que um advogado ligado à defesa de Jairo Souza Santos Júnior teria tentado orientar Monique a sustentar uma versão falsa sobre o caso.
O cronograma de depoentes pendentes inclui nomes estratégicos indicados pelas bancas jurídicas de ambos os acusados.
A profissional trabalhava no apartamento do casal e, segundo as investigações, alertou Monique Medeiros por mensagens de celular sobre agressões praticadas por Jairinho um mês antes da morte.
O irmão de Monique Medeiros alegou que o advogado André França, ligado à Jairinho, teria “treinado” Monique para mentir após a morte da criança.
Segundo Bryan, a orientação passada era para que Monique afirmasse que Jairinho estaria dormindo no momento do crime. A testemunha afirmou ainda que a irmã era contra essa narrativa porque “teria que mentir”.
Ao longo do depoimento, Bryan também relatou episódios que, segundo ele, demonstrariam comportamento controlador de Jairinho em relação a Monique. Ele afirmou que o ex-vereador tinha ciúmes excessivos, monitorava a então companheira e chegou a fazê-la suspeitar que o celular estava grampeado.
Bryan também disse que Monique revelou posteriormente ter sofrido agressão física do ex-companheiro. Segundo o relato, Jairinho teria chegado bêbado em casa após um evento e a acordado a enforcando por ciúmes.
A sessão também deve seguir no domingo (31). Na sexta-feira (29), durante o quinto dia do julgamento, Jairinho deixou o plenário pouco antes do início do depoimento de Leniel.
Durante as perguntas, Leniel falou sobre seu último final de semana com o filho e o momento em que entrou Henry à mãe. “Foi maravilhoso, se não fosse tão trágico”, afirmou.
Ele detalhou que a separação entre ele e Monique havia ocorrido cerca de seis meses antes da morte de Henry. A mulher morava com Jairinho por cerca de um mês e meio, quando ocorreu a criança morreu.
Interrogatório dos réus e debates finais
Após a conclusão das oitivas de todas as testemunhas, o rito processual prevê o interrogatório de Jairinho e Monique Medeiros. Este será o momento em que os réus poderão apresentar suas versões sobre os fatos ocorridos em março de 2021.
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Jairinho é acusado de ser o autor das agressões que resultaram em 23 lesões e na morte do menino, enquanto Monique responde por homicídio por omissão, sob a tese de que tinha conhecimento das agressões e não agiu para evitá-las.
Encerrados os interrogatórios, o julgamento entra na fase de debates orais entre o Ministério Público e os advogados de defesa. A decisão final caberá ao Conselho de Sentença, composto por sete jurados, que votará pela condenação ou absolvição dos réus.
Em caso de condenação com pena superior a 15 anos, a Justiça pode determinar a prisão imediata dos acusados ainda no plenário.