Um remoto abrigo de caça construído sobre uma formação vulcânica na costa sul da Islândia, apelidado nas redes sociais de “a casa mais solitária do mundo”, acaba de receber seu primeiro sistema de bateria carregada por energia solar, reduzindo a dependência de geradores a gasolina e propano.
A ilha de Elliðaey, parte do arquipélago das Ilhas Westman, é um dos locais mais remotos da Islândia. Com cerca de 45 hectares — aproximadamente o tamanho da Cidade do Vaticano —, a ilha abriga apenas um chalé de caça, construído em 1953. O local só pode ser alcançado de barco em condições de mar calmo, principalmente durante os meses de verão.
As Ilhas Westman estão entre os maiores locais de reprodução de papagaios-do-mar-do-atlântico do mundo. Estima-se que apenas Elliðaey seja lar de dezenas de milhares de casais reprodutores.
Membros da associação responsável pela ilha, proprietária do imóvel, aprovaram a instalação de um sistema de bateria doméstica EcoFlow TITAN de 5 kWh, acompanhado de dois painéis solares. A mudança elimina parte da necessidade de combustível e botijões de propano, que precisavam ser içados de barcos por meio de um sistema de guincho até o topo das falésias.
O presidente da associação, Ragnar Thor Johannsson, ex-pescador de arrastão, liderou o projeto para levar energia renovável à ilha.
“Para manter esta casa funcionando nos últimos 60 ou 70 anos, tivemos que depender de combustível e propano. E é extremamente difícil trazê-los para cá. Além disso, isso não é bom para o meio ambiente”, afirmou Johannsson.
Ele coordenou a entrega do sistema de baterias usando o guincho da ilha para içar os equipamentos de um barco em movimento pelas encostas rochosas.
“Em um lugar como este, é muito difícil manter a energia e fazer a casa funcionar durante a temporada em que ela é necessária. Por isso, a bateria e a energia solar fazem muito sentido para eles”, afirmou Simon Smith, especialista britânico em instalações de sistemas autônomos da SA Energy.
Smith viajou até a ilha para instalar o equipamento e descreveu o local como um dos ambientes mais extremos em que já trabalhou.
“O sistema está sendo testado no ambiente mais extremo possível. Não há nenhum sistema de reserva aqui. Ou ele funciona, ou não funciona. E está claro que o sistema funciona”, disse.
Depois de entrar em operação, a bateria passou a fornecer energia para um fogão, uma chaleira, iluminação e equipamentos de comunicação — estes últimos considerados essenciais para pedir ajuda em caso de emergência.
Um refrigerador com freezer também será levado para a ilha. Segundo os responsáveis pelo local, o equipamento permitirá conservar os alimentos por mais tempo, reduzindo a frequência e o custo das viagens para levar suprimentos.
A instalação reflete uma tendência mais ampla. O aumento dos preços de combustíveis e energia neste ano ajudou a impulsionar uma demanda recorde por sistemas de baterias residenciais em alguns países, à medida que famílias buscam reduzir sua dependência de combustíveis fósseis.