Os preços do cacau apresentaram forte volatilidade ao longo de maio no mercado internacional, refletindo preocupações climáticas na África Ocidental e mudanças nas perspectivas globais de oferta e demanda.
No fechamento da última sexta-feira, 29 de maio, a amêndoa foi negociada a US$ 3.923 por tonelada na Bolsa de Nova York, em queda de 4,29% em relação ao dia anterior. Apesar da queda pontual, a commodity acumulou valorização de 9,92% no mês.
Na comparação anual, entretanto, os preços permanecem significativamente mais baixos. O cacau está cerca de 59,8% abaixo do valor registrado no mesmo período de 2025, refletindo a recuperação da oferta global após a crise de abastecimento que impulsionou cotações recordes no ano passado.
Durante o mês de maio, os contratos futuros chegaram a atingir US$ 4.180 por tonelada, o maior patamar em quase duas semanas. O movimento foi impulsionado por intensa cobertura de posições vendidas e por preocupações relacionadas ao clima na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau.
Fortes chuvas provocaram inundações em importantes regiões produtoras do país africano, afetando atividades agrícolas e a logística de transporte. A situação gerou apreensão quanto ao volume e à qualidade da safra.
Além disso, o mercado voltou a monitorar a possível formação do fenômeno El Niño, que pode provocar alterações significativas nos padrões climáticos globais. O risco de eventos extremos, como excesso de chuvas ou períodos de seca, aumenta as incertezas sobre a produção de cacau na África Ocidental nos próximos meses.
Apesar dos fatores de sustentação dos preços, os sinais de maior disponibilidade de produto limitaram ganhos mais expressivos. Os estoques certificados de cacau da Intercontinental Exchange (ICE) atingiram 2,745 milhões de sacas em 26 de maio, o maior volume em um ano e nove meses.
A Organização Internacional do Cacau (OIC/ICCO) revisou suas estimativas para a safra global 2024/25. Segundo os dados mais recentes divulgados no Boletim Trimestral de Estatísticas do Cacau, o excedente mundial de oferta foi ajustado para 48 mil toneladas.
A entidade estima que a produção global de cacau alcance 4,723 milhões de toneladas na temporada 2024/25, enquanto a moagem mundial deverá somar 4,628 milhões de toneladas. Os números indicam um mercado mais equilibrado após os déficits observados nas últimas safras, contribuindo para a acomodação dos preços em relação aos níveis recordes registrados anteriormente.
Analistas destacam que, embora o mercado continue sensível aos riscos climáticos na África Ocidental, a recomposição dos estoques globais e a expectativa de superávit na safra atual tendem a limitar movimentos mais acentuados de alta no curto prazo.