A área internacional do Palácio do Planalto avalia que o governo brasileiro deve aguardar a situação envolvendo a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) “decantar” antes de conceder o agrément ao indicado por Donald Trump à embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
A avaliação é de que não faz sentido dar o aval diplomático ao republicano enquanto o presidente americano questionar o processo eleitoral no Brasil.
Além disso, o Planalto aguarda qual será a estratégia da Casa Branca em relação ao Brasil após o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, que vai definir a composição no Congresso local, se de maioria republicana ou democrata.
Até o momento, Donald Trump não parabenizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória no domingo (25). Pelo contrário, nos últimos dias, o americano tem sugerido, sem apresentar provas, que a votação para a Presidência do Brasil teria sido fraudada. Mas destaca que gosta de Lula e que se dá bem com o petista.
O governo Lula decidiu não se manifestar oficialmente sobre a declaração do republicano, nem sobre uma suposta participação da Casa Branca na fuga de Flávio Bolsonaro.
Embora a avaliação no Planalto seja de “aguardar” conceder as cartas credenciais ao indicado de Trump, a avaliação sobre a concessão de agrément é de competência do Itamaraty, processo que corre sob sigilo.
Até antes do segundo turno das eleições, ainda sob duvidas de quem sairia o vencedor nas urnas, a equipe diplomática do Palácio do Planalto havia sido informada de que o Itamaraty não havia identificado, até o momento, nenhum indicativo que impeça o nome de Daniel Perez para exercer a função de embaixador no Brasil.
Com expectativa de que a concessão do aval poderia acontecer até o fim do ano, mesmo que o petista não vencesse as eleições para um próximo mandato.
Lula suspendeu a concessão de agréments até depois do segundo turno das eleições, o que acabou paralisando a autorização para países como o próprio Estados Unidos, Ucrânia e Síria.
Daniel Perez
Presidente da Câmara de Representantes do estado da Flórida, e alinhado a Donald Trump, Daniel Perez foi anunciado como indicado embaixador pelos EUA em junho deste ano.
A divulgação pública gerou críticas internas na diplomacia brasileira, já que o processo de análise e aceitação de agrément é sigiloso, com o nome do indicado informado inicialmente ao país que irá receber o embaixador, antes de ser anunciado.
Em agosto, a nomeação foi aprovada pelo Senado americano em um placar apertado, com 51 votos a favor e 47 contrários.
O Brasil não tem embaixador dos Estados Unidos desde janeiro de 2025. Quem representa o governo americano em território brasileiro é Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA.
EUA rebaixou visto da embaixadora brasileira
A área internacional do Palácio do Planalto sugere que o governo brasileiro deve condicionar a autorização de visto com livre trânsito a Daniel Perez, indicado pelos Estados Unidos a embaixador no Brasil, ao mesmo tratamento dado pela Casa Branca à embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Em agosto, Viotti teve o visto de entradas múltiplas em território americano, prerrogativa de um embaixador, revogado. A medida foi tomada pelo Departamento de Estado americano, que equivale ao Ministério de Relações Exteriores no Brasil.
Na época, o secretário de Estado, Marco Rubio, alegou reciprocidade em razão de o governo brasileiro ainda não ter autorizado o novo embaixador americano no país.