Bolsas globais sobem e petróleo despenca após acordo entre EUA e Irã

Os principais índices de ações subiram nesta segunda-feira (15), enquanto os preços do petróleo recuaram, já que um acordo de paz preliminar entre os Estados Unidos e o Irã devem aliviar as pressões inflacionárias em nível global e diminuir a necessidade de aumento das taxas de juros.

O Dow Jones atingiu uma máxima histórica, enquanto o otimismo em relação ao acordo levou o europeu STOXX 600 a um fechamento em pico recorde.

Os EUA e o Irã anunciaram que concordaram em encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, notícia que levou alívio aos operadores de petróleo, embora o pacto possa depender do fim das hostilidades de Israel no Líbano e adie as negociações sobre o programa nuclear de Teerã.

O Irã afirmou que o tráfego pelo Estreito de Ormuz será regulado por Teerã e Omã.

“O mercado está reagindo ao acordo de paz”, disse Peter Cardillo, economista-chefe de mercado da Spartan Capital Securities.

“Embora isso não resolva o verdadeiro motivo da guerra — que é conter as perspectivas de o Irã ter capacidade para fabricar uma bomba nuclear —, é bom saber que o Estreito de Ormuz será reaberto”, afirmou. “É provável que essa notícia seja um bom argumento para um rali no verão que possa se ampliar.”

Os mercados já haviam precificado um provável acordo, mas a confirmação foi suficiente para fazer os preços do petróleo caírem próximo de 5%.

Investidores afirmaram que isso pode ser um alívio para os bancos centrais que se reúnem esta semana, aliviando um pouco da pressão para apertar a política monetária a fim de evitar um aumento nas expectativas inflacionárias impulsionado pelos preços da energia.

Os bancos centrais dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Austrália, Suíça, Suécia, Noruega e Rússia realizam reuniões de política monetária esta semana. O Banco Central brasileiro também anuncia sua decisão.

A expectativa é de que o Federal Reserve mantenha os juros entre 3,50% e 3,75% na quarta-feira, na reunião de estreia do chair Kevin Warsh. O comunicado, as projeções econômicas e a coletiva de imprensa serão analisados minuciosamente em busca de sinais de que o Fed esteja abandonando seu viés de afrouxamento, à medida que as autoridades se tornam mais “hawkish” em relação aos riscos de inflação.

Bolsas disparam

As bolsas asiáticas fecharam em forte alta com recorde no Japão. O índice japonês Nikkei avançou 4,99% em Tóquio, a um patamar inédito de 69.317,50 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi saltou 5,20% em Seul, a 8.545,98 pontos. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng teve ganho moderado de 0,50% em Hong Kong, a 24.842,67 pontos, e o Taiex subiu 2,78% em Taiwan, a 45.396,99 pontos.

Na China continental, o Shanghai Composto registrou alta de 1,61%, a 4.096,47 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 3,42%, a 2.789,36 pontos.

Já bolsas da Europa fecharam sem direção única. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,39%, a 10.430 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,09%, a 24.903 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,40%, a 8.384 pontos.

Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,66%, a 51.835 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 1,45%, a 19.035 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,52%, a 9.046 pontos. O índice acionário europeu STOXX 600 renovou máxima recorde.

Os principais índices de Wall Street registraram alta nesta segunda-feira, com o Dow Jones marcando um recorde de fechamento.

As ações de tecnologia, sensíveis às taxas de juros, subiram, com investidores se sentindo mais à vontade para assumir apostas de maior risco, com os preços mais baixos do petróleo aliviando os temores de inflação.

Os três principais índices registraram sua terceira sessão consecutiva de ganhos, recuperando-se depois que as tensões no Oriente Médio e uma retração nas ações relacionadas à IA haviam colocado a alta recorde de Wall Street em pausa há mais de uma semana.

O S&P 500 subiu 123,80 pontos, ou 1,67%, fechando em 7.555,26 pontos, enquanto o Nasdaq Composite subiu 797,79 pontos, ou 3,07%, para 26.686,64. O Dow Jones Industrial Average subiu 490,38 pontos, ou 0,96%, para 51.684,88.

No Brasil, a bolsa paulista iniciou o pregão em forte alta, mas se descolou do avanço das bolsas do exterior pressionada pelas ações da Petrobras, que tiveram forte queda acompanhando o recuo do petróleo.

O Ibovespa perdeu o fôlego do início do dia e encerrou em baixa de 0,42%, aos 170.415,13 pontos nesta segunda-feira.

*Com informações da Reuters

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