SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou perto da estabilidade nesta terça-feira (28), com leve alta de 0,17%, cotado a R$ 5,121. Os investidores avaliaram o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), divulgado pelo IBGE nesta terça, e seguiram à espera das decisões de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), previstas para esta quarta-feira (29).
Na máxima do dia, a moeda norte-americana atingiu R$ 5,129. Já na mínima, recuou a R$ 5,109. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,10%.
O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 0,7%, aos 176.564 pontos. Segundo Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, o avanço do índice refletiu a divulgação do IPCA-15 abaixo das expectativas do mercado, o que, na avaliação do especialista, reforça a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de agosto do Copom.
A expectativa em torno da decisão do Federal Reserve também tem dominado a atenção do mercado. Vitor Kayo, economista-sênior da Nomad, afirma que, segundo o FedWatch, do CME Group, o cenário mais provável para a decisão desta quarta é a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, com 71% de probabilidade. Outros 29% do mercado apostam em uma alta de 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4%.
Segundo o economista, mesmo que a manutenção seja o desfecho mais esperado, o mercado estará atento a três pontos. O primeiro é uma eventual mudança no tom do comunicado em relação ao divulgado na reunião anterior, que reforçou o compromisso do Fed em levar a inflação de volta à meta.
O segundo ponto é a possibilidade de divergências entre os membros do comitê sobre a condução da política monetária. O terceiro é o tom adotado por Kevin Warsh, presidente do Fed, na coletiva de imprensa, já que um discurso mais duro no combate à inflação pode reforçar a percepção de que uma alta dos juros está próxima, ainda que não ocorra nesta reunião.
No Brasil, as atenções dos investidores se voltaram principalmente para o IPCA-15, que desacelerou para 0,06% em julho, após registrar alta de 0,41% em junho, segundo dados divulgados pelo IBGE.
O resultado surpreendeu o mercado ao ficar bem abaixo da mediana das projeções de analistas consultados pela Bloomberg, de 0,22%. A taxa de 0,06% ficou, inclusive, abaixo do piso das estimativas, de 0,15%.
A principal contribuição para a desaceleração veio do grupo de alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,66% no mês.
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 desacelerou para 4,52%, ante 4,8% registrados até junho.
Com os novos dados, o mercado de juros futuros encerrou a sessão em queda. Às 17h41, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,985%, com recuo de 0,05 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 encerrou em 14,635%, em queda de 0,06 ponto percentual.
Nos Estados Unidos, o rendimento da Treasury de dez anos recuou 0,96%, para 4,60%.
Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, afirma que os resultados do IPCA-15 reforçam os sinais de desaceleração da inflação, mas ainda exige cautela em relação ao comportamento dos preços de serviços.
Segundo ele, parte da queda observada nos alimentos pode ser revertida no fim do ano, a depender dos impactos do El Niño, enquanto os serviços podem voltar a acelerar com a entrada de estímulos fiscais na economia em um ano eleitoral.
O especialista acrescenta que o IPCA-15 segue acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
A divulgação dos dados ocorre uma semana antes da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, marcada para os dias 4 e 5 de agosto. No encontro, o colegiado decidirá o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
Em Wall Street, os principais índices fecharam sem direção única. O Dow Jones subiu 1,03%, o S&P 500 avançou 0,21% e o Nasdaq registrou queda de 0,22%.
Ainda nesta terça, a capitalização de mercado (estimativa do valor de mercado da empresa) da Apple ultrapassou brevemente a marca de US$ 5 trilhões pela primeira vez, tornando a companhia a segunda da história a atingir esse patamar, depois da Nvidia.
Na máxima do pregão, quando as ações chegaram a US$ 342,89, o valor de mercado da Apple alcançou US$ 5,036 trilhões.
O conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo também permaneceram no radar do mercado, que segue atento a possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
No último fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu os ataques pontuais ao Irã após ser alertado pela cúpula militar americana de que a campanha não estava surtindo efeito. Apesar disso, o governo iraniano rejeitou, na segunda-feira (27), retomar as negociações de paz.
Às 17h44 desta terça-feira, o barril de petróleo era negociado a US$ 83,76, com queda de 5,21%.
Também nesta terça, a Casa Branca recebeu o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e, na sequência, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em reuniões separadas com Trump, em meio às discussões sobre os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.