Os contratos futuros do boi gordo com vencimento em novembro e dezembro de 2026 superaram os R$ 400 por arroba na B3 nesta terça-feira (27). O contrato de dezembro atingiu a máxima histórica de R$ 400,50/@, enquanto o de novembro chegou a R$ 400,55/@. Às 15h55, os dois vencimentos eram negociados a R$ 400,15 por arroba, com altas de 0,78% e 0,76%, respectivamente.
Desde a mínima de fechamento registrada em 17 de março, de R$ 343,40 por arroba, o contrato acumula alta de R$ 56,35, equivalente a 16,4%. O movimento ocorre em um cenário de preços recordes no mercado físico e expectativa de oferta restrita de animais terminados nos próximos meses.
O contrato de novembro de 2026 e o de dezembro de 2026 operavam empatados a R$ 400,15 por arroba, ambos em patamar recorde. Durante o pregão desta terça-feira, o vencimento de novembro chegou à máxima de R$ 400,55/@, enquanto o de dezembro atingiu R$ 400,50/@. O contrato de novembro avançava R$ 3,00 por arroba, alta de 0,76%, e o de dezembro subia R$ 3,10, ganho de 0,78%.
O movimento de valorização também aparecia nos vencimentos seguintes, em que o contrato para janeiro de 2027 era negociado a R$ 399,25 por arroba, com alta de 0,58%, após atingir a máxima de R$ 399,90 durante o pregão. Já o vencimento para outubro de 2026 avançava 0,09%, a R$ 384,90 por arroba.
Com novembro e dezembro no mesmo patamar, a curva de preços futuros entre esses vencimentos e janeiro de 2027 permanecia praticamente estável, com cotações próximas de R$ 400 por arroba. O contrato de dezembro liderava o volume negociado no dia, com 3.487 contratos, seguido pelo de novembro, com 3.378.
Mercado físico registra recordes
No mercado físico, o indicador Cepea/Esalq para São Paulo alcançou R$ 381,40 por arroba na segunda-feira (26), o maior valor nominal da série histórica, iniciada em 1994. Já o indicador Datagro para São Paulo, referência para a liquidação do contrato futuro, estava em R$ 382,42 por arroba na sexta-feira (23).
Com o contrato de novembro a R$ 399,75, o prêmio em relação ao indicador Datagro chega a R$ 17,33 por arroba, ou 4,5%. A diferença mostra que o mercado futuro negocia a preços superiores aos observados no indicador físico de referência.
A distância entre os vencimentos de outubro e novembro também aumentou. Com o contrato de outubro próximo do vencimento e negociado na faixa de R$ 384 a R$ 385 por arroba, o diferencial entre os dois contratos chegou a R$ 15,05 por arroba nesta terça-feira, ante R$ 12,60 na sessão anterior.
Oferta restrita
Na avaliação da Terra Mesa Agro, a valorização reflete a expectativa de oferta limitada de bovinos terminados até o fim do ano. Entre os fatores apontados estão escalas de abate curtas, retenção de animais, custos elevados de reposição e exportações de bovinos vivos em ritmo forte.
A sustentação dos preços ocorre mesmo com a desaceleração das exportações brasileiras de carne bovina para a China após o esgotamento da cota de importação destinada ao Brasil em 2026. O volume excedente está sujeito a uma sobretaxa adicional de 55%, além da tarifa de 12% aplicada dentro da cota, elevando a tributação total para 67%.
Nesse cenário, a restrição da oferta de animais tem exercido pressão mais forte sobre as cotações do que a perda de ritmo das exportações de carne. A curva praticamente plana dos contratos até março de 2027 reforça a expectativa de manutenção de preços elevados nos próximos meses.
Para que o contrato de novembro sustente a cotação próxima de R$ 400 por arroba até o vencimento, o indicador DATAGRO precisaria avançar cerca de R$ 17 por arroba em relação ao último valor informado. A evolução do mercado físico será, portanto, determinante para a convergência entre os preços futuros e a referência de liquidação.
O mercado também segue atendo ao comportamento da demanda com o pagamento do 13º salário e o aumento sazonal do consumo nas festas de fim de ano podem contribuir para a demanda, mas os preços recordes da carne também podem limitar o poder de compra dos consumidores.