O avanço das apostas esportivas, conhecidas como bets, está no radar do setor imobiliário como um fator de preocupação sobre o poder de compra das famílias. O tema foi discutido nesta quinta-feira (27), durante a 23ª Convenção Secovi-SP, em São Paulo.
Para Eduardo Fischer, CEO da MRV&Co, o efeito das apostas deve ser analisado em conjunto com o aumento do endividamento das famílias e o cenário macroeconômico.
Segundo ele, o consumidor chega hoje à ponta de vendas em uma situação financeira mais desequilibrada do que no passado.
“Você percebe hoje o cliente chegando na ponta para comprar numa situação mais desequilibrada do que no passado”, afirmou.
Fischer ponderou que as bets não são responsáveis sozinhas pelo cenário. Na avaliação dele, o comprometimento da renda também é resultado do endividamento das famílias e das condições econômicas do país.
“Não é só a bet, mas, com certeza, tem um componente. Você tem um endividamento de todo esse cenário macroeconômico que nós estamos vivendo”, disse.
Mesmo consumidor
O executivo destacou que o impacto sobre o mercado imobiliário ocorre porque o consumidor que compra um imóvel é o mesmo que enfrenta outras despesas no dia a dia.
“As famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas, em geral. Então, você vê o varejo sofrendo bastante agora, mais recentemente. Mas esse cliente é o mesmo. O cara que está comprando a geladeira é o cara que está comprando um imóvel nosso”, afirmou.
Para Fischer, o consumidor mais endividado representa um ponto de atenção para o setor, mesmo em um momento em que a demanda por imóveis permanece forte em determinados segmentos.
“Então, ele vem, de fato, mais desequilibrado. É um ponto de atenção e preocupação”, disse.
Impacto além do mercado imobiliário
Na avaliação do executivo, o debate sobre as apostas esportivas ultrapassa os efeitos sobre o consumo e deve ser tratado também como uma questão de saúde pública.
“Acho que nós estamos enfrentando, vamos enfrentar, uma questão de saúde pública”, afirmou.
Segundo Fischer, o impacto das bets pode atingir diferentes setores produtivos da economia, ao comprometer parte da renda que seria destinada ao consumo de outros bens e serviços.
“Isso desequilibra vários setores produtivos da economia, não só o nosso”, disse.