O BofA (Bank of America) revisou sua projeção para a inflação brasileira em 2027, de 4,1% para 4,7%. A expectativa para este ano foi mantida em 5,5%.
Porém, as estimativas do banco ainda não incorporam dois riscos citados como relevantes por David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do BofA.
O primeiro deles é o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento atípico do Oceano Pacífico que, consequentemente, altera as condições climáticas e meteorológicas da região.
Tem soado por todo o continente americano o alerta para um “super” El Niño neste ano. E o fenômeno já deu sinais no mês de junho, segundo boletim divulgado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) na segunda-feira (29).
No pior cenário, o BofA projeta um impacto altista de até 1,8 ponto percentual na inflação por parte do El Niño.
No mercado, Beker aponta que as ações do agronegócio já começam a registrar reajustes sob impacto do fenômeno.
O segundo risco apontado pelo economista é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe o a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
“Vai levar a inflação para cima”, afirma Beker, apontando que o banco rascunha hipóteses e projeções sobre o impacto, mas ressaltando que é difícil cravar um número pela diversidade da economia e do impacto nos diferentes setores que a compõe.