Balanço fraco da Adidas faz ações derreterem em Frankfurt

Os investidores da Adidas puniram a fabricante alemã de roupas esportivas pela queda nos lucros nesta quinta-feira, levando suas ações a uma ​queda recorde de 17%, apesar de a empresa ter elevado sua ​previsão de vendas anuais devido à demanda por suas roupas retrô e ao impulso da Copa do Mundo de futebol.

O lucro operacional da Adidas no trimestre ficou abaixo das estimativas dos analistas, já que a empresa gastou 30% a mais em marketing do que no mesmo período do ano anterior, devido às campanhas relacionadas com a Copa que terminou em julho.

“Em termos absolutos, o segundo trimestre foi bom, mas diante das crescentes expectativas em torno da Copa do Mundo, isso vai ⁠decepcionar os investidores”, escreveram analistas do Deutsche Bank ​em uma nota aos investidores, apontando para o resultado abaixo do esperado.

Analistas do Citi afirmaram que o ​desempenho das vendas ainda ficou “bem abaixo” das expectativas do mercado por um crescimento mais rápido.

“Combinado com o benefício mais ⁠pronunciado da Copa do Mundo nas receitas, isso provavelmente reacenderá ⁠o debate sobre a sustentabilidade do crescimento após a Copa do Mundo”, afirmaram em uma nota.

As ​ações ‌da Adidas, que vinham apresentando forte desempenho desde abril, registram agora uma queda de cerca de 11% neste ano.

Copa do Mundo e retorno da moda vintage

À medida que a popularidade de seus tênis Samba e Gazelle vai diminuindo gradualmente, os investidores esperam que a visibilidade proporcionada pela Copa do Mundo ajude a Adidas a manter o ritmo de vendas, à medida que ‌lança ⁠novos modelos e busca ‌se manter à frente de concorrentes como a rival norte-americana Nike.

“O crescimento relacionado à Copa do Mundo foi acelerado por nossa estratégia de aumentar a disponibilidade de produtos no interesse de nossos consumidores e parceiros de varejo, em vez de otimizar os ⁠estoques”, disse o presidente-executivo Bjorn Gulden em comunicado.

A Adidas patrocinou um ⁠total de 14 seleções na Copa do Mundo de junho, incluindo as finalistas Argentina e Espanha.

O fluxo de clientes nas lojas da Adidas nos ‌EUA disparou 44,7% em relação ao ano anterior na semana de 15 de junho, a primeira semana completa da fase de grupos da Copa do Mundo, de acordo com um relatório da Placer.ai, empresa que coleta dados sobre fluxo de clientes.

Previsão de receita

A empresa agora espera que a receita cresça entre 9% e 10%, ajustada ‌pelo câmbio, em comparação com a previsão anterior de crescimento na casa dos dígitos únicos altos.

Ainda espera que o lucro operacional aumente para cerca de 2,3 bilhões de euros este ano, depois que o lucro operacional no período de ⁠abril a junho subiu 5%, para 574 milhões de euros, mas ficou abaixo do consenso dos analistas, de 623 milhões de euros.

A receita trimestral cresceu 14%, ajustada pelo câmbio, para 6,74 bilhões de euros (US$7,72 bilhões), acima dos 6,63 bilhões de euros ​projetados pelos analistas em uma pesquisa compilada pela empresa.

O aumento foi impulsionado por um crescimento de dois dígitos em todas as ​regiões, exceto na Europa, onde grandes descontos em muitos varejistas estavam pressionando o segmento de calçados de estilo de vida, informou a empresa.

Em comunicado separado, a Adidas informou que nomeou Birgit Kretschmer para suceder Harm Ohlmeyer como diretor financeiro no final do ano, após a decisão de Ohlmeyer de não prorrogar seu ‌mandato atual.

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