Atraso nas importações de ureia preocupa para próxima safrinha de milho

As importações brasileiras de ureia devem se recuperar no segundo semestre, mas o aumento dos volumes pode não ser suficiente para recompor a queda registrada nos primeiros meses do ano. Segundo análise do Rabobank, mesmo em um cenário de importações mensais recordes entre agosto e dezembro, o volume total adquirido pelo Brasil em 2026 ainda ficaria cerca de 5% abaixo do registrado no ano passado.

O cenário ocorre em meio à maior volatilidade do mercado global de fertilizantes desde o início de março, com a intensificação do conflito no Oriente Médio. Os movimentos de alta e correção dos preços levaram produtores a postergar parte das compras para a próxima safra, contribuindo para o atraso das importações.

Entre janeiro e julho, o Brasil importou 2,33 milhões de toneladas de ureia, volume 25% inferior às 3,07 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. A ureia é considerada um dos principais pontos de atenção para o mercado brasileiro por sua importância na adubação das lavouras, especialmente para o plantio da safrinha de milho.

A preocupação com o atraso está relacionada à necessidade de concentrar volumes de importação nos meses restantes do ano. Ainda assim, de acordo com a análise do Rabobank, mesmo uma aceleração expressiva das compras não seria suficiente para superar a perda acumulada até julho.

Quando considerados os fertilizantes nitrogenados pelo equivalente de nutriente, o déficit é de aproximadamente 20% em relação a 2025. As importações de outros tipos de fertilizantes têm contribuído apenas de forma marginal para reduzir essa diferença.

Fósforo também registra queda

O mercado de fertilizantes fosfatados apresenta uma retração menor, mas também registra redução nas importações. O volume está cerca de 9% abaixo do observado no ano passado, enquanto as importações de MAP (fosfato monoamônico), um dos principais fertilizantes fosfatados utilizados no país, recuaram aproximadamente 21%.

Parte dessa queda foi compensada pelo aumento das compras de TSP (superfosfato triplo). Até o momento, foram importadas pouco mais de 1,5 milhão de toneladas do produto, o equivalente a cerca de 90% de todo o volume de TSP importado pelo Brasil ao longo de 2025.

Margens

A evolução das importações ocorre em um momento de atenção sobre a situação financeira dos produtores rurais. Para o Rabobank, “a situação das importações de fertilizantes é particularmente relevante diante da necessidade de recuperação das finanças dos produtores rurais”.

A preocupação com o clima também permanece elevada. Nesse contexto, a utilização adequada de fertilizantes pode contribuir para a manutenção dos níveis de produtividade das lavouras. A combinação das margens obtidas com soja e milho safrinha será um dos fatores importantes para a recuperação financeira dos produtores, disse o banco.

Às vésperas do início de uma nova safra de soja, porém, o cenário de custos permanece desafiador. O Rabobank estima custos mais elevados para a produção, em parte como reflexo dos conflitos no Oriente Médio, o que deve manter as margens pressionadas por mais um ciclo.

Apesar do atraso nas importações, a projeção do Rabobank para as entregas totais de fertilizantes no Brasil permanece em 45,1 milhões de toneladas.

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