Ao longo da semana, o candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, acumulou uma série de ruídos negativos em sua campanha. Entre eles, estão as declarações sobre as urnas eletrônicas, a divulgação de informações de que teria emitido notas fiscais no valor de R$ 1,5 milhão, com posterior anulação de duas delas, e a abertura de um inquérito pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, para apurar a aplicação de recursos na produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Apesar desse conjunto de episódios, a campanha encerra a semana com algum alívio. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo em que aceita o pedido de desculpas feito por Flávio, sinalizando que poderá estar ao lado dele ao longo da campanha.
Esse movimento é importante para o candidato do PL. Nos últimos dias, Flávio sofreu desgaste especialmente junto ao eleitorado feminino, e a presença de Michelle pode ajudar na recuperação desse segmento, que terá papel relevante na disputa presidencial.
O fato, porém, é que a campanha ainda enfrenta desafios importantes. Um dos principais está relacionado à construção de alianças e ao apoio político. A federação formada por PP e União Brasil sinaliza que pode adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial. O mesmo movimento é indicado pelo Republicanos.
Uma eventual neutralidade desses partidos seria negativa para Flávio Bolsonaro, pois poderia reforçar a percepção de isolamento da sua candidatura. Esse cenário ganha importância diante da movimentação de outros nomes do campo da direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), que buscam ampliar suas bases de apoio.
A disputa por espaço dentro desse campo político já apresenta sinais claros. Um exemplo foi a recente divulgação de uma fotografia de Renan Santos ao lado de Blairo Maggi, representante importante do agronegócio brasileiro, movimento que demonstra a busca por apoios estratégicos entre setores relevantes do eleitorado.
Além da questão das alianças, o inquérito aberto pelo ministro André Mendonça também pode continuar produzindo efeitos políticos. Novos desdobramentos ou notícias negativas relacionadas ao caso podem gerar novos ruídos para a campanha de Flávio nas próximas semanas.
O próximo movimento positivo que a candidatura pretende construir é justamente a escolha do nome para a vice-presidência. A expectativa é que a vaga seja ocupada por uma mulher, estratégia que busca ampliar o alcance eleitoral da chapa.
Apesar dos problemas enfrentados recentemente, é pouco provável um cenário em que Flávio Bolsonaro deixe a disputa presidencial. Essa possibilidade chegou a ser levantada diante dos episódios negativos da semana, mas, neste momento, não aparece como uma hipótese provável.
As pesquisas de intenção de voto divulgadas até aqui continuam apontando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida presidencial, com Flávio Bolsonaro na segunda colocação. Embora existam diferenças entre os levantamentos, todos indicam essa direção: o candidato do PL permanece como o principal nome da direita e, até o momento, não sofre ameaça de outros concorrentes desse campo político.
*Cristiano Noronha é vice-presidente da consultoria Arko Advice. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.