Aprovação e desaprovação de Lula são de 47%, explica Antonio Lavareda

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda analisou, no Índice CNN do CNN 360°, o cenário eleitoral brasileiro na última semana antes do início das convenções dos presidenciáveis. Com base no agregador de pesquisas desenvolvido pelo Ipespe Analítica, o especialista avaliou os pontos fortes e fracos de cada candidato, destacando que os eventos partidários jogam luz sobre a disputa e injetam novas informações no processo eleitoral.

O quadro de aprovação e desaprovação do governo segue empatado em 47%, conforme dados apresentados no programa. Lavareda ponderou que, embora esse número indique competitividade, não configura invulnerabilidade.

“Tem algum favoritismo, mas não é uma invulnerabilidade”, afirmou. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupa a quinta posição no ranking de aprovação entre 18 países latino-americanos, o que, em um contexto de dificuldades para governantes em todo o mundo, representa um desempenho “mais do que satisfatório”.

Agregador aponta estabilidade no primeiro turno

O agregador de pesquisas, que utiliza cálculo de estatística bayesiana para combinar os levantamentos mais recentes, registrou oscilação de apenas um ponto nas intenções de voto de Lula, enquanto os outros candidatos continuam nos mesmos patamares.

Os números mostram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 31%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (Novo) com 3%. Lavareda ressaltou que a reconciliação pública de Flávio Bolsonaro com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda não deve ter sido captada pelas pesquisas mais recentes, uma vez que o trabalho de campo ocorreu antes do evento.

Segundo turno: Lula à frente, mas com teto aparente

Pela primeira vez, o Índice CNN apresentou também cenários agregados de segundo turno. Em todos os confrontos testados, Lula aparece com 46% das intenções de voto.

A vantagem sobre Flávio Bolsonaro é de cinco pontos (46% a 41%), sobre Ronaldo Caiado é de sete pontos (46% a 39%), sobre Romeu Zema é de nove pontos e sobre Renan Santos é de 13 pontos.

Lavareda chamou atenção para a proximidade entre o índice de aprovação do governo (47%) e a intenção de voto no segundo turno (46%), afirmando que as duas variáveis tendem a se correlacionar de forma estreita à medida que a campanha avança.

O analista destacou que esse “teto” não é definitivo, mas reflete a conjuntura atual. “Com quaisquer pesquisas que sejam feitas, os resultados vão ficar em torno desses 46% dentro da atual conjuntura”, explicou. Ele estimou em pelo menos 77% a probabilidade de haver segundo turno nas eleições.

Erros e acertos de cada presidenciável nas convenções

Na avaliação dos candidatos, Lavareda e a apresentação do programa destacaram que Lula chega às convenções com vice definido — Geraldo Alckmin, do PSB — e coligação estruturada, com a adesão do PDT, partido que em 2022 tinha candidato próprio.

No entanto, a ausência de uma frente ampla semelhante à de 2022, articulada em torno da defesa da democracia, foi apontada como uma vulnerabilidade. O novo eixo discursivo, centrado na soberania nacional, ainda não demonstra a mesma capacidade de mobilização.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem como trunfos simbólicos a presença do presidente argentino, Javier Milei, na convenção do PL e a recente reconciliação com Michelle Bolsonaro. Contudo, ainda não definiu vice nem coligação.

Partidos como Progressistas e União Brasil devem permanecer neutros, e há incerteza sobre o posicionamento de outras legendas. Lavareda ressaltou que a força de Flávio Bolsonaro é sustentada, em boa medida, pela rejeição a Lula. “De certa forma, é Lula que sustenta, em boa medida, Flávio Bolsonaro no momento”, afirmou.

Entre os candidatos que disputam o espaço da chamada terceira via, Ronaldo Caiado já definiu o vice — Gilberto Kassab —, mas deve concorrer em chapa pura, sem coligação. Romeu Zema segue firme como candidato do Novo, mas também sem vice definido.

Renan Santos, por sua vez, concluiu a definição da chapa com um vice do próprio partido, embora enfrente dificuldades de capilaridade, inclusive sem candidato ou aliança em São Paulo. Lavareda avaliou que os três dependem de eventuais tropeços de Flávio Bolsonaro e apostam no desempenho nos debates para absorver parte de seu eleitorado.

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