Análise: Sem trégua, EUA vão enviar mais jatos ao Oriente Médio

Donald Trump fez uma ameaça pública nas redes sociais após a confirmação da morte de três soldados americanos atribuída ao Irã, declarando que o país pagaria “muitas vezes mais” por cada militar norte-americano morto. O episódio eleva ainda mais as tensões no Oriente Médio e amplia o escopo do conflito na região.

Simultaneamente às ameaças, fontes relataram à CNN que Trump planeja enviar mais caças para o Oriente Médio. De acordo com o analista de Internacional Lourival Sant’Anna, caças F-16 serão deslocados de bases norte-americanas na Alemanha e caças F-35 de bases no Reino Unido.

“Os caças F-16 criam corredores destruindo sistemas antiaéreos e radares inimigos, e os caças F-35 vêm com capacidade de penetração furtiva e ataques de alta precisão“, detalhou Sant’Anna ao CNN Prime Time desta segunda-feira (20).

Para o analista, esse movimento indica que os Estados Unidos se preparam para uma guerra muito mais longa e destrutiva do que inicialmente previam.

Sant’Anna destacou ainda que os Estados Unidos entenderam que o Irã tem uma capacidade resiliente de atacar alvos distantes, como a Jordânia, o que está além do raio de ação habitual do país. O analista apontou que isso possivelmente conta com apoio de inteligência chinesa e russa.

Ele também ressaltou que, apesar de Trump costumar dizer que destruiu o arsenal militar do Irã, os iranianos continuam operando drones altamente evasivos, que representam a principal ameaça no Estreito de Ormuz.

“Quando o Trump faz essa retórica de que está destruindo o arsenal iraniano, ele acaba causando mais insegurança e mais questionamentos sobre a capacidade militar americana, porque, enquanto ele diz isso, militares americanos estão sendo mortos pelos iranianos”, afirmou Sant’Anna.

Alargamento do conflito

O conflito apresenta novos contornos preocupantes. Os Houthis no Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram a intenção de fechar o Estreito de Bab al-Mandeb, uma passagem estratégica de entrada para o Mar Vermelho.

Somado ao Estreito de Ormuz, já sob influência iraniana, o fechamento desse corredor pode representar uma nova frente de crise energética global.

Sant’Anna apontou que os EUA teriam iniciado ataques a usinas de dessalinização, que o Irã respondeu atacando instalações do mesmo porte no Kuwait. Segundo o analista, por serem alvos civis, esses ataques configuram crime de guerra.

“A guerra tende a ganhar contornos mais sombrios, com civis sofrendo mais”, alertou Sant’Anna.

 

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